Paulo Bernardo: o coveiro da democratização da mídia (II)
por Messias Pontes
Por mais que setores
democráticos e progressistas insistam com o governo da Presidenta Dilma
Rousseff no sentido de tomar a iniciativa para garantir a democratização da
mídia, menos tem merecido atenção à questão. Até mesmo parte significativa do
Partido dos Trabalhadores tem exigido uma posição firme do governo, mas o
ministro das Comunicações, Paulo Bernardes (PT), faz ouvido de mercador. Pior, ele
até garantiu, em recente entrevista ao Estadão, que esta questão não está na
agenda governamental. É oportuno lembrar que a legislação do setor de rádio e
TV é de 1962, portanto há mais de meio século. E tome porrada nas costas do
governo!
Nos dois últimos dias, a velha
mídia conservadora, venal e golpista tem dado grande espaço à publicação do
acórdão do Supremo Tribunal Federal sobre a Ação 470. Contudo a ênfase é para o
“mensalão” e os “mensaleiros”, em especial o ex-ministro José Dirceu. Para ela,
não existe a Ação 470. Os entrevistados no horário nobre são sempre os que se
posicionam a favor da prisão dos condenados. Os acusados e aqueles que
questionam o resultado, notadamente os advogados de defesa, simplesmente são
esquecidos. Mas mesmo assim, o ministro Paulo Bernardo continua genuflexo
diante do baronato da mídia. E tome dinheiro nos cofres do GAFE (Globo, Abril,
Folha e Estadão)!
A Secretaria de Comunicação
Social da Presidência da República (Secom), que tem à frente a jornalista
Helena Chagas, faz direitinho o jogo do baronato da mídia. Há, inclusive dentro
do PT, quem afirme que a Secom continua um ninho tucano. Embora tenha diminuído
um pouco nos últimos dez anos, a TV Globo continua recebendo a maior fatia do
bolo publicitário federal, com 43,7%. Isto sem falar nos demais veículos da
famiglia Marinho: TVs a cabo, rádios AM e FM, revistas, internet. No somatório,
o sistema Globo abocanha, com o beneplácito dos petistas-tucanos mais da metade
da publicidade do governo federal, o que é simplesmente vergonhoso.
Seguindo a cartilha
tucana-neoliberal, o secretário-executivo da Secom, Roberto Bocorny Messias,
reafirma que “A programação de recursos deve ser proporcional ao tamanho e ao
perfil da audiência de cada veículo”. Esse tal critério técnico, imposto pelas seis
famílias que controlam praticamente toda a mídia, é bastante questionável. O
Ibope é o único instituto que pesquisa a audiência, e o que é aferido no Rio de
Janeiro e São Paulo é válido para todo o Brasil.
Aqui em Fortaleza somente
uma rádio AM paga mensalmente ao Ibope e os resultados são muito questionáveis.
E mesmo que os números sejam reais, não justifica a concentração de verba
publicitária num único veículo. Isto fortalece o monopólio e impede o
crescimento dos outros veículos, ferindo, portanto, a Constituição Cidadã de 5
de outubro de 1988.
A cantilena do baronato da
mídia de que a regulação da mídia é censura deve ser desmascarada. Afinal, são
todos – sem exceção – os sindicatos de jornalistas do País e a sua federação
nacional, a FENAJ; os movimentos sociais mais representativos – UNE, Ubes, MST,
CTB, CUT, CNBB, OAB, Conselho Nacional de Psicologia, e partidos políticos,
como o PCdoB, PT, PSB, PSOL, PSTU; e o FNDC – Fórum Nacional pela
Democratização da Comunicação - exigem a democratização da comunicação. Não há
nenhum exagero em se afirmar que essa velha mídia conservadora, venal e
golpista é responsável pelo impedimento do avanço do Brasil no rumo da
modernidade, do progresso e da ampla democracia.
Apesar de posições
reacionárias como as do ministro Paulo Bernardes e de deputados federais como o
do pedetista Miro Teixeira e outros, um novo marco regulatório das comunicações
será conquistado pela sociedade civil. E a luz que se vê no fim do túnel é a
campanha Para Expressar a Liberdade que vai iniciar, a partir do próximo dia 1º
de maio, com o mais amplo e irrestrito apoio dos trabalhadores e trabalhadoras
do Brasil, mobilização em todo o País objetivando colher as 1,3 milhão de
assinaturas necessárias para o envio ao Congresso Nacional do projeto de lei de
iniciativa popular que define um novo marco regulatório da comunicação.
Esse projeto de lei de iniciativa popular prevê
a regulamentação dos artigos 220, 221, 222, 223 e 222 do Capítulo V – Da
Comunicação Social – da Constituição Federal de 1988, e defende, entre outros
pontos, a promoção e a garantia dos direitos de liberdade de expressão e
opinião, de acesso à informação e de direito à comunicação, da diversidade e da
pluralidade de ideias e opiniões. Não será difícil a obtenção de 1,3 milhão de
assinaturas dos democratas brasileiros, amantes da paz, da liberdade e da
verdadeira democracia

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