Proposta reduz tempo de TV e recursos de fundo para novas legendas
A Câmara dos
Deputados aprovou na noite desta terça-feira (16), por 258 votos a favor e 58
contra, regime de urgência para o projeto de lei que prejudica a criação de
novos partidos. A proposta impede transferência de recursos públicos do Fundo
Partidário e do tempo de rádio e TV dos atuais partidos para os novos, com base
nos deputados que migrarem para a nova legenda no meio do mandato.
A urgência foi
aprovada em votação apertada, já que o mínimo de votos exigidos são 257. Com
esse regime, o texto poderá ser apreciado pelo plenário antes de propostas mais
antigas. A previsão é que o mérito do projeto seja votado nesta quarta. Se
aprovada, a matéria segue para análise do Senado.
Deputados do PPS e do PMN, que pretendem se fundir para um criar um novo partido, e a ex-senadora Marina Silva, que também trabalha por um novo partido, classificaram a decisão de votar a urgência de “casuísmo”, “golpe” e “rolo compressor”
Para Marina Silva, que trabalha por novo partido, votação do texto é 'golpe'
Decisão de votar a urgência é "casuísmo"
Possível
candidata à Presidência da República na eleição de 2014, Marina coleta
assinaturas para registrar sua nova legenda, a Rede Sustentabilidade. Ela
tentou, sem sucesso, convencer o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN),
a não colocar o assunto em pauta.
"Infelizmente
o casuísmo está levando a um golpe na democracia. As forças políticas que
legitimamente têm o direito de organizar as suas ideias e suas propostas estão
sendo tolhidas de poder usar esse direito legítimo que a Constituição
lhes assegura”, afirmou.
Para a
ex-senadora, os deputados estão usando dois pesos e duas medidas”, pois o PSD,
partido criado pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Cassasb teve o
direito aos recursos do fundo e maior tempo de TV assegurados pela Justiça.
“Estão usando
dois pesos e duas medidas. Pedimos que a sociedade reaja claramente. Para os
amigos tudo, e para os supostos inimigos- que são escolhidos por critérios que
nós nem sabemos- a lei. E uma lei de encomenda”, declarou Marina.
A divisão da
maior parte do Fundo Partidário (95%) e da propaganda eleitoral (2/3) é feita
de forma proporcional ao número de deputados federais. A criação ou fusão de
partidos são as únicas brechas na lei que permitem ao parlamentar mudar de
sigla sem perder o mandato.
"Querem
votar tudo hoje, como um rolo compressor. Casuísmo tem de ser assim, como
faziam na ditadura”, ironizou o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR). Os
políticos chamam de "efeito PSD" o fato de a legenda criada pelo
ex-prefeito de São Paulo ter conseguido na Justiça maior acesso ao fundo
partidário e mais tempo de horário político na TV com base no número de
parlamentares de outras legendas que migraram para o partido após as eleições.
Do G1, em Brasília – 16/04/2013, às 23h21


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