Eduardo Cunha ficou nu
Por Alex Solnik (*)
O que provocou o adiamento da decisão acerca do último pedido de
impeachment da presidente Dilma, que estava marcado para hoje não foi a
desculpa esfarrapada que o ainda presidente da Câmara, Eduardo Cunha, deu ao sair
da reunião de líderes que manteve esta manhã, que o motivo teria sido a
necessidade de esperar um aditamento ao pedido com a inclusão de provas de que
houve pedaladas também em 2015. Não foi nada disso.
O que paralisou os movimentos de
Cunha foi a decisão do STF, de hoje, anulando o rito de impeachment anunciado por
ele, considerado autocrático pelos ministros do Supremo.
A manobra inventada por Cunha de
que, com maioria simples, o plenário poderia dar o pontapé inicial no processo
foi derrubada pelos ministros por ser inconstitucional – ele é useiro e vezeiro
em manobras inconstitucionais - o que foi um baque nas suas pretensões e no seu
acordo com a oposição que ruiu fragorosamente (deu para ouvir o barulho em São
Paulo).
Para ganhar tempo e pensar no que
fazer agora ele jogou a decisão para a semana que vem, mas todas as janelas do
Congresso sabem que a oposição e Cunha não têm 342 votos pelo impeachment nem
que a vaca tussa. E sem 342 votos não tem impeachment.
Pobre Cunha. Durante dez meses
mandou na Câmara como se fosse o dono do mundo. Deitava e rolava, ditava o
ritmo das votações, manobrava frenética e compulsivamente.
Eis que, de uma sentada só, ele
perde o trunfo que tinha com a oposição – o poder de iniciar o impeachment com
maioria simples – e a força da ameaça que representava para o governo a mesma
manobra.
O rei ficou nu. Colocaram no
bolso do Superhomem uma pedra de kriptonita. Tiraram o espinafre do Popeye.
Cortaram o cabelo do Sansão.
(*) Alex Solnik é
jornalista e escritor. Publicado em www.brasil24/7, de 13/10/2015, às 19h02


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