Cunha terá dez dias
para se defender no Conselho de Ética
O presidente da Câmara, Eduardo
Cunha (PMDB-RJ), será notificado pelo Conselho de Ética até amanhã (29), para
apresentar sua defesa na representação que começa a tramitar a partir da próxima
semana no colegiado. No início da tarde de hoje (28), o documento numerado pela
Mesa Diretora da Casa foi entregue ao colegiado. O peemedebista terá dez dias
para organizar argumentos e tentar evitar que o processo resulte na cassação de
seu mandato como deputado.
O pedido de abertura do processo
foi assinado por cerca de 50 parlamentares de sete partidos (PSOL, Rede, PT,
PSB, PROS, PPS e PMDB), que defendem o afastamento de Cunha. Eles tomaram a
iniciativa em razão das denúncias de que o peemedebista, sua mulher e filha têm
contas na Suíça que não foram declaradas. As contas seriam mantidas com
dinheiro originado do pagamento de propina em contratos da Petrobras,
investigados na Operação Lava Jato.
Em até 90 dias, o processo deve
ser concluído. Até lá, o relator do caso, escolhido a partir de lista tríplice
sorteada entre os 21 integrantes do conselho, poderá pedir acesso a documentos.
Ele vai ouvir testemunhas, entidades e bancos que possam esclarecer
dúvidas. O presidente do colegiado, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), que
tem garantido isenção no processo, disse que o parecer pode ser concluído ainda
este ano, “dependendo do relator”.
Além das contas no exterior,
Cunha também é denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela
Procuradoria Geral da República. As suspeitas envolvendo seu nome têm motivado
outros movimentos pela sua saída. Representantes e membros de segmentos e de
movimentos evangélicos – religião de Cunha – lançaram hoje um manifesto de
repúdio “às ações do Deputado Eduardo Cunha. “As denúncias de corrupção e o
envio de recursos públicos para contas no exterior inviabilizam a permanência
do deputado Eduardo Cunha no cargo que ocupa, uma vez que não há coerência e
base ética necessária a uma pessoa com responsabilidade pública”, destacaram.
De Brasília, Carolina
Gonçalves – Repórter da Agência Brasil, 28/10/2015, às 14h57
(Dr. Luís Henrique Correia Lima de Oliveira)

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