Lama aproxima-se do
Espírito Santo e Samarco é intimada a prestar assistência
O Instituto Estadual de Meio
Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), do Espírito Santo, intimou a Mineradora
Samarco a tomar providências quanto aos impactos ambientais que a enxurrada de
lama causará ao estado. A lama com rejeitos usados no processo de mineração
atingiu o Rio Doce e segue por ele em direção ao estado.
“A determinação do instituto é
para que a empresa promova todo o apoio necessário aos municípios e aos
cidadãos capixabas que forem atingidos pela onda de lama, com ações que
minimizem os impactos ambientais decorrentes da impossibilidade do tratamento de
água nos locais afetados pelos rejeitos”, disse o Iema. A intimação foi
entregue ontem (8), segundo o instituto.
O Iema é o responsável por emitir
a licença ambiental na região. Dentre as medidas exigidas pelo instituto, estão
o monitoramento da qualidade da água do Rio Doce e das águas do mar que serão
atingidas pela lama e distribuir água potável para consumo humano e animal. A
Samarco foi contatada, mas não emitiu nenhum comunicado sobre o assunto até o
fechamento da matéria.
De acordo com o biólogo
André Ruschi, diretor da escola Estação Biologia Marinha Augusto Ruschi, em
Aracruz, no Espirito Santo, a lama que desce no Rio Doce atingirá cerca de 10
mil quilômetros quadrados do litoral norte da região litorânea do estado. A
área compreende três unidades de conservação marinhas: Comboios, Área de
Proteção Ambiental Costa das Algas e Refúgio da Vida Silvestre de Santa Cruz,
que somam cerca de 200 mil hectares no mar.
Governo Federal oferece ajuda
O ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, conversou com o secretário
estadual de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, João Coser, e
colocou o governo à disposição do Espírito Santo para enfrentar a chegada da
enxurrada de lama. Occhi se encontrará amanhã, (hoje,10), com o governador do estado,
Paulo Hartung, para falar do apoio que o governo federal prestará.
A Defesa Civil do estado está
trabalhando para alertar banhistas e moradores da calha do Rio Doce, que ainda
não foram informados sobre a chegada da lama, o que deve ocorrer nas próximas
horas. “O governo está presente com sua equipe para toda a infraestrutura
necessária para a passagem da onda de lama. Todo nosso esforço é para que a
onda de lama passe com o menor impacto possível para a população dos três
municípios atingidos no Espírito Santo”, disse Coser.
O governo do estado preparou uma
ação com empresas fornecedoras de energia elétrica e água, empresas privadas,
diferentes órgãos estaduais e municipais das cidades de Baixo Guandu, Colatina
e Linhares, localidades que devem sofrer a invasão de lama. Segundo o Iema, 60
carros-pipa foram disponibilizados para garantir o abastecimento de água.
A onda de lama é resultado do
rompimento de duas barreiras de contenção de rejeitos de mineração da
mineradora Samarco que aconteceu na última quinta-feira (5) na região de
Mariana (MG). O acidente destruiu o distrito de Bento Rodrigues, na zona rural
de Mariana, deixou três mortos, 24 desaparecidos e 612 pessoas
desabrigas.


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