João Santana: 98% das
campanhas usavam Caixa 2
Em depoimento ao juiz Sérgio
Moro, o publicitário João Santana questionou o cerco da Lava Jato a ele e a sua
mulher, Mônica Moura. Disse que 98% das campanhas políticas no Brasil utilizam
caixa dois e que, mesmo assim, ele e a mulher são os únicos presos por esse
motivo: “Se tivesse o mesmo rigor que está tendo comigo em relação a essas
pessoas, teria uma fila saindo atrás de mim que iria bater em Brasília,
chegaria a Manaus. Poderia ser fotografada de satélite”, disse o marqueteiro.
“Acho que precisa rasgar o véu da
hipocrisia que cobre as relações políticas eleitorais no Brasil e no mundo”,
afirmou, acrescentando que “ou faz a campanha dessa forma, ou não faz”.
Mônica também disse que os
partidos não querem declarar o valor real que recebem das empresas: “Não era
uma opção minha, era uma prática não só no PT, mas em todos os partidos”.
De Brasília, Brasil 247,
22/07/2016, às 05h12.
Veja também:
SÃO PAULO — No fim do depoimento
ao juiz Sérgio Moro, o publicitário João Santana fez uma espécie de desabafo.
Disse que 98% das campanhas políticas no Brasil utilizam caixa dois e que,
mesmo assim, ele e a mulher, Mônica, são os únicos presos por esse motivo. Ao
sustentar a alegação de que são milhões os profissionais “de todas as camadas
sociais e dezenas de profissões que recebem por fora”, Santana afirmou:
— Se tivesse o mesmo rigor que
está tendo comigo em relação a essas pessoas, teria uma fila saindo atrás de
mim que iria bater em Brasília, chegaria a Manaus. Poderia ser fotografada de
satélite — disse o marqueteiro.
Moro ouviu o marqueteiro e
perguntou, em seguida, se ele não achava que receber pagamentos “por fora”
significava uma trapaça em campanha política. O publicitário afirmou que é um
“constrangimento profundo”, “um risco”, “um ato ilegal”, mas rebateu:
— Acho que precisa rasgar o véu
da hipocrisia que cobre as relações políticas eleitorais no Brasil e no mundo —
afirmou, acrescentando que “ou faz a campanha dessa forma, ou não faz”.
Santana disse que caixa dois não
é a mesma coisa que corrupção, embora tenha afirmado que se arrepende, pois
sabia que era irregular.
— Eu tinha consciência de uma
prática ilegal. Dinheiro sujo, jamais. Caixa dois não é necessariamente caso de
corrupção — disse Santana.
Ele acrescentou que o empresário
Zwi Skornicki, que depositou US$ 4,5 milhões numa conta dele na Suíça, pode ter
afirmado à Justiça que a origem do dinheiro era propina, mas não que ele e sua
mulher soubessem disso.
— Onde chega no nosso
conhecimento, isso é caixa dois. Não se podem julgar personagens e lendas, mas
pessoas. Temos nossa reputação destruída nacional e internacionalmente.
Erramos, sim, não estou querendo piedade ou clemência. Quero proporcionalidade,
que o senhor, este juízo, consiga resolver essa contradição — disse Santana.
Para Mônica Moura, o juiz Sérgio
Moro perguntou qual o motivo de ter recebido valores de caixa dois se a quantia
paga oficialmente pelo PT já era alta, chegando a R$ 170 milhões entre 2006 e
2014.
— Os partidos não querem declarar
o valor real que recebem das empresas, e as empresas não querem declarar o
quanto doam. Ficamos no meio disso. Não era uma opção minha, era uma prática
não só no PT, mas em todos os partidos — respondeu Mônica.
De São Paulo, O Globo, com reportagem de Cleide
Carvalho, Renato Onofre e Sérgio Roxo, em 22/07/2016
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