Copom inicia hoje
reunião para definir taxa básica de juros
Banco Central sedia hoje e amanhã reunião do Comitê de
Política Monetária para definir
taxa básicade juros, a Selic, atualmente em 14,25% ao ano
taxa básicade juros, a Selic, atualmente em 14,25% ao ano
(Imagem: Arquivo/EBC)
A primeira reunião do Comitê de
Política Monetária (Copom) sob o comando do novo presidente do Banco Central
(BC), Ilan Goldfajn, tem início na tarde desta terça-feira (19), em Brasília. A
segunda parte da reunião será realizada amanhã (20), quando será divulgada a
decisão do colegiado sobre a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,25%
ao ano.
Esta será também a primeira
reunião com a participação de quatro novos diretores: Carlos Viana de
Carvalho (Política Econômica), Tiago Couto Berriel (Assuntos Internacionais e
de Gestão de Riscos Corporativos), Reinaldo Le Grazie (Política Monetária) e
Isaac Sidney Menezes Ferreira (Relacionamento Institucional e Cidadania).
A decisão do Copom sobre a Selic
será tomada no momento em que a inflação mostra sinais de que está
cedendo e a atividade econômica permanece em queda. Em junho, a inflação -
medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - caiu 0,43
ponto percentual em relação a maio ao passar de 0,78% para 0,35%. Com a
desaceleração, o IPCA fechou o primeiro semestre do ano com alta acumulada de
4,42%, resultado abaixo dos 6,17% registrados em igual período de 2015. Em 12
meses, o IPCA ficou em 8,84%, 0,48 ponto percentual abaixo dos 9,32% dos 12
meses anteriores.
Já a atividade econômica voltou
a cair em maio. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br)
dessazonalizado (ajustado para o período) apresentou queda de 0,51% em maio,
comparado a abril. Em abril, houve uma interrupção de 15 meses seguidos de
queda, com crescimento de 0,07%, na comparação com março, de acordo com dados
atualizados. Em 12 meses encerrados em maio, a retração ficou em 5,43% e no
ano, em 5,79%.
Meta de inflação
No último dia 28, o presidente do
Banco Central, Ilan Goldfajn, disse que alcançar o centro da meta de inflação,
de 4,5%, em 2017 é uma expectativa ambiciosa e crível. Para ele, atingir esse
objetivo é algo ambicioso porque a inflação em 2015 foi “mais que o dobro da
meta”. “O ano de 2015 foi de choque, inflação muito elevada, em parte devido à
depreciação forte [do real], a inflação de [preços] administrados muito forte.
Desde então, o objetivo do regime de metas tem sido fazer a convergência de
volta para o centro da meta”, disse, ao divulgar o Relatório de Inflação.
A meta de inflação, definida pelo
Conselho Monetário Nacional (formado pelos ministros da Fazenda e do
Planejamento e o presidente do BC) é de 4,5% e pode chegar ao máximo de 6,5%
este ano e 6% em 2017. Entretanto, para este ano, o BC projeta estouro da meta
de inflação por conta da alta dos preços administrados e também dos agrícolas.
De acordo com as estimativas do BC, a inflação deve ficar em 6,9%, este ano, e
em 4,7%, em 2017.
Taxa básica
O principal instrumento usado
pelo BC para controlar a inflação é a taxa básica de juros, usada nas
negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia
(Selic). Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda
aquecida, e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem
o crédito e estimulam a poupança. Quando o Copom reduz os juros básicos, a
tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao
consumo, mas a medida alivia o controle sobre a inflação. Quando mantém a taxa,
o Copom considera que ajustes anteriores foram suficientes para alcançar o
objetivo de controlar a inflação.
Desde julho de 2015, os juros
básicos estão em 14,25% ao ano, no maior nível desde outubro de 2006. Pelas
expectativas de instituições financeiras, a Selic será mantida nesse
patamar na reunião deste mês, mas até o final do ano será reduzida, mesmo com o
discurso do BC de que não há espaço para cortes na Selic. De acordo com as
projeções, ao final de 2016 a Selic estará em 13,25% ao ano. Em 2017, a
expectativa é de mais cortes na taxa Selic, que encerrá o período em 11% ao
ano.
De acordo com a pesquisa do BC às
instituições financeira, a Selic começará a cair em outubro deste ano, quando
deve ficar em 13,75%, com nova queda em dezembro para 13,25% ao ano. Na reunião
marcada para agosto deste ano, não há expectativa de redução da Selic. Por
essas projeções, a Selic continuará a ser reduzida no próximo ano até outubro,
quando deve chegar a 11% ao ano e será mantida nesse patamar na reunião do
Copom de dezembro de 2017.
Novidades
No primeiro dia de reunião do
Copom, chefes de departamentos do BC apresentam uma análise da conjuntura
doméstica, com dados sobre a inflação, o nível de atividade econômica, as
finanças públicas, a economia internacional, o câmbio, as reservas
internacionais e o mercado monetário, entre outros assuntos. No segundo dia,
após análise da perspectiva para a inflação e das alternativas para a Selic, os
diretores e o presidente do banco definem a taxa.
No último dia 12, o BC anunciou
que, a partir desta reunião, a divulgação da taxa ocorrerá por volta das 18h,
cerca de uma hora depois do fechamento do mercado financeiro. Anteriormente, a
taxa Selic era anunciada entre 19h30 e 21 horas.
Para a alteração, o horário de
começo do segundo dia de reunião do Copom mudou de 16h30 para 14h. O BC também
anunciou a alteração do dia de divulgação da ata da reunião, com as
explicações para a decisão sobre a Selic. Agora, esse documento será divulgado
na terça-feira seguinte e não mais às quintas-feiras.
Outra novidade é que, nesta
primeira reunião sob o comando de Goldfajn, fotógrafos e cinegrafistas poderão
fazer registros de imagens do início do encontro. Na gestão de Alexandre
Tombini também houve, uma vez, abertura para registro de imagens, segundo a
assessoria de imprensa do BC.
De Brasília, Kelly
Oliveira – Repórter da Agência Brasil, 19/07/2016, às 07h54







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