A FARSA
Inocêncio Nóbrega (*)
Aliás,
duas farsas, ambas com o mesmo pretexto: corrupção, crime de responsabilidade.
No fundo, propunham fulminar dois mandatos presidenciais, legitimamente
eleitos, de Fernando Collor e Dilma Rousseff, consequentemente fazendo ascender
também dois fantoches, Itamar Franco e Michel Temer. As intenções também são
casadas, o primeiro, apressar a implantação do neoliberalismo e sucateamento do
patrimônio nacional. Não foi por outra razão que nomeou FHC Ministro da
Fazenda. O segundo, na prática retirar o pré-sal das mãos da Petrobrás,
entregando-o a grupos internacionais. O novo presidente da Câmara dos
Deputados, Rodrigo Maia, já sinalizou prioridade desse projeto nas próximas
discussões. Itamar Franco começou trair o Palácio do Planalto quando insinuado
a facilitar negócios comerciais com a Ilha Formosa. Temer, não fez por menos,
adota semelhante recurso contra nossa presidenta.
Conforme reportagem do jornal
“Gazeta de Alagoas”, ed. 23.04.1995 o enredo dessa história começa com a
ousadia de Ruy Curvel, que decidiu investigar o estreito relacionamento entre o
então vice-presidente e o ex-vice-chanceler chinês, C. J. Change. O jornalista brasileiro, municiado de
informações colhidas de seguras fontes de Los Angeles, Hong Kong e Taiwan,
concluiu pela existência de uma conspiração contra Collor. Intrigavam-lhe os
contratados serviços de John Lee, no Brasil através de sua subsidiária,
comandada por Elias Manuel Gomes, veiculados com a participação do assessor
particular de Itamar Franco, João Marcos Martins.
Modestos
eram os negócios comerciais entre nosso país e o território taiwanês, que
desejava incrementá-los. A remoção do obstáculo só possível pela via do
“impeachment”, no que foi facilitada pela mega operação de suborno, consistido
no financiamento de US$ 70 milhões, a serem rateados entre os parlamentares.
Ibsen Pinheiro e Mauro Borges, respectivamente presidentes da Câmara dos
Deputados e do Senado, na época, funcionaram como agentes distribuidores da
propinagem. Ainda foi requerida uma ajuda extra de US$ 260 milhões, rateada
entre os estados do Ceará, que ficou com a maior fatia, Pará, Paraíba, Rio
Grande do Norte e Sergipe, com certeza para reforço de apoio de seus
representados junto às duas Casas congressuais.
Descoberta
a trama, Ruy Curvelo a converteu em dossiê, por ele pessoalmente entregue, em
agosto/94, ao então PGR Aristides Junqueira, o qual deliberadamente o reteve
até dezembro do ano seguinte, quando decidiu encaminhá-lo à Polícia Federal,
exatamente dois dias após absolvição de Collor, pelo STF. São próximas as
circunstâncias de que ele e a presidente Dilma Rousseff são vítimas. Episódios
que forçaram o mandatário de 1992 à renúncia, por presumível tráfico de
influência atribuído a PC Farias e exorbitância de gastos na Casa da Dinda,
diante dos fatos, posteriormente apurados, não batem, pois, com a presumível
verdade. Assim como as montagens, que
são feitas contra Dilma. Acredito, pois,
apesar de ferido nos seus brios, o agora senador reveja seu posicionamento,
ante o atual quadro de impedimento, que certamente cruza com interesses
externos, especialmente ligados ao petróleo.
(*) - Inocência Nóbrega é Escritor e Jornalista (inocnf@gmail.com)


Nenhum comentário:
Postar um comentário