Lula: “Temer deu facada
nas costas de Dilma”
O ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva acusou o presidente interino, Michel Temer, durante discurso em
Caruaru, Agreste pernambucano, de esfaquear a presidente Dilma Rousseff
"pelas costas". "Eu perdi uma eleição para governador e
duas eleições para presidente e em momento nenhum falei em golpe. Eu me
preparei. Se Temer tem algo de democrático, ele deveria se preparar e lançar
sua candidatura em 2018, mas ele sabendo que não ganharia as eleições, preferiu
dar uma facada nas costas de Dilma e chegar por trás na Presidência da
República, disse.
Segundo Lula, Temer agiu como os
militares em 1964, quando derrubaram o governo democraticamente eleito e
implantaram uma ditadura no País. A passagem de Lula por Caruaru é a penúltima
etapa de sua viagem a Pernambuco. Em mais um sinal de sua candidatura à
presidência, seja agora ou em 2018, Lula afirmou que essa viagem, que também
passou pela Bahia, lhe deu "vontade de voltar a viajar pelo
País".
Antes de almoçar com militantes
do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o ex-presidente voltou a dizer
que a população tem que pressionar os senadores para que votem contra o
impeachment. "Para Dilma não sofrer impeachment, ela precisa de 28 votos e
até agora ela tem 22. Portanto, precisamos convencer os 6 senadores restantes
que o voto dela foi tão democrático quanto o que eles receberam nas
eleições", afirmou. Ele pediu que os eleitores enviem mensagens pelo
Whatsapp para os senadores como forma de pressão.
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Lula aproveitou a ocasião para
alfinetar o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), que foi ministro da
Integração Nacional do governo Dilma. Segundo Lula, FBC passou a apoiar o
impeachment após Temer assegurar um ministério para o filho, o deputado federal
Fernando Filho (PSB-PE). "O povo desse estado votou em senador que foi
ministro de Dilma e está votando contra ela. Bastou que o Temer desse um cargo
para o filho dele. Então vocês têm que mandar WhatsApp para cada senador. É
assim que a gente vai ganhar essa parada. Para ele saber que nunca mais vai receber
o voto do povo para ser senador", disse. Fernando Filho é o atual ministro
das Minas e Energia do governo Temer.
Lula disse também que as elites
nacionais não aceitam as mudanças implantadas pela esquerda no País nos últimos
anos e que permitiram a ascensão das camadas mais pobres da população.
"Estão incomodados que o filho do agricultor e da empregada doméstica
estão na universidade. O que eles não sabem é que nós não somos de açúcar, nós
não derretemos. O que eles não sabem é que nós nascemos para lutar e consagrar
as conquistas da democracia brasileira", afirmou. Segundo ele, a elite
acha que o poder é só para ela e que a mulher deve ser tratada apenas como
objeto de cama e mesa e não como presidente da República.
Ainda nesta quarta-feira, Lula seguirá
para o Recife, onde participará de um ato público em defesa da democracia e
contra o golpe no Pátio de São Pedro, no centro da capital pernambucana. Em
seguida, o ex-presidente retornará a São Paulo.
Do Recife, Pernambuco 247, 13/07/2016, às 16h03



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