Tribunal Internacional
faz julgamento simbólico do Golpe no Brasil
Agosto se aproxima e cresce a
expectativa sobre o desfecho no Senado do processo que definirá a situação da
presidenta Dilma Rousseff, afastada provisoriamente do cargo e ameaçada de
impeachment pelo suposto cometimento do crime das "pedaladas
fiscais". Embora tanto a perícia independente encomendada pelo próprio
Senado quanto as conclusões do Ministério Público Federal tenham apontado para
a não existência de crime de responsabilidade por parte de Dilma, a
predominância de senadores alinhados ao governo interino de Michel Temer faz
com que o afastamento da presidenta, ainda que legalmente injustificado, seja
uma possibilidade concreta.
Frente a esse quadro, cresce a
perplexidade internacional sobre o Brasil e seu atual momento político.
Enquanto o processo no Senado entra em sua reta final, aumenta o número de
debates e questionamentos internacionais sobre o que está acontecendo com o
país e sua democracia. Organizado pelos partidos, sindicatos e movimentos
sociais que compõem a Frente Brasil Popular, começa hoje (19), no Rio de
Janeiro, o Tribunal Internacional Sobre a Democracia no Brasil, que reunirá
especialistas em direitos humanos de diversos países e terá seu veredito, de
valor simbólico, encaminhado ao Senado e também aos ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF).
Composto por nomes reconhecidos
internacionalmente, o corpo de jurados será presidido pelo ativista dos
direitos humanos Adolfo Pérez Esquivel, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em
1980. O argentino, que esteve no Brasil em abril, qualificou o afastamento de
Dilma como "golpe do Estado" e, em visita ao Senado, comparou a tentativa
de impeachment da presidenta brasileira aos processos que culminaram nas
derrubadas dos presidentes Manuel Zelaya, de Honduras, em 2009, e Fernando
Lugo, do Paraguai, em 2012. "Acima dos interesses partidários das elites
devem estar os interesses do povo do Brasil e de toda a América Latina",
disse aos senadores.
Outro candidato ao Nobel da Paz,
o bispo mexicano Raul Veras, que ficou conhecido por suas ações em prol dos
direitos humanos quando era frei dominicano, também faz parte do júri.
Completam o time de especialistas
internacionais Jaime Cárdenas (advogado e político mexicano), Giovanni Tognoni
(jurista italiano membro do Tribunal Permanente dos Povos), Almudema Barnabeu
(advogada norte-americana, vencedora do Prêmio Letelier-Moffitt de Direitos
Humanos em 2015), Gerardo Pisarello (escritor hispano-argentino e professor de
Direito Constitucional na Universidade de Barcelona), Laurence Cohen (senadora
francesa, integrante do Partido Comunista Francês), Azadeh Shahshahani
(advogada norte-americana com ascendência iraquiana, especializada em defesa
dos direitos humanos de imigrantes muçulmanos), Maria José Dulce (filósofa
espanhola, especialista em temas ligados à globalização) e Walter Montealegre
(jurista e acadêmico costa-riquenho).
Três etapas
O julgamento, que ocorrerá com entrada franca no Teatro Casa Grande, histórico ponto de resistência à ditadura civil-militar no Brasil, será dividido em três etapas. Na primeira etapa serão ouvidas as testemunhas e as alegações da acusação e da defesa. Na segunda parte, que será realizada amanhã (20), cada um dos dez jurados terá 30 minutos para declarar seu voto. A última parte do Tribunal Internacional será dedicada à declaração da sentença final pelo presidente do tribunal, o jurista brasileiro Juarez Tavares, em conformidade com a decisão proferida pelo júri.
O julgamento, que ocorrerá com entrada franca no Teatro Casa Grande, histórico ponto de resistência à ditadura civil-militar no Brasil, será dividido em três etapas. Na primeira etapa serão ouvidas as testemunhas e as alegações da acusação e da defesa. Na segunda parte, que será realizada amanhã (20), cada um dos dez jurados terá 30 minutos para declarar seu voto. A última parte do Tribunal Internacional será dedicada à declaração da sentença final pelo presidente do tribunal, o jurista brasileiro Juarez Tavares, em conformidade com a decisão proferida pelo júri.
A acusação ficará a cargo do
advogado Nilo Batista, e a defesa será sustentada pela advogada Margarida
Lacombe. Foram convidados como testemunhas da acusação o jurista Geraldo Prado,
o especialista em Filosofia do Direito Jacinto Coutinho e a advogada Tânia
Oliveira. Como testemunhas da defesa, participarão do Tribunal Internacional a
advogada e professora Juliana Neuenschwander, a desembargadora aposentada Magda
Biavaschi e o cientista político Rogério Dultra dos Santos.
Atenção internacional
De valor simbólico e teor do veredito conhecido de antemão, o Tribunal Internacional Sobre a Democracia no Brasil chama a atenção no exterior e será mais uma oportunidade para que ativistas dos direitos humanos denunciem internacionalmente o processo em curso no Brasil. Segundo os organizadores do evento, o ataque à democracia no país está sendo perpetrado por "forças políticas e econômicas articuladas a setores do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e potencializadas pela grande mídia corporativa".
De valor simbólico e teor do veredito conhecido de antemão, o Tribunal Internacional Sobre a Democracia no Brasil chama a atenção no exterior e será mais uma oportunidade para que ativistas dos direitos humanos denunciem internacionalmente o processo em curso no Brasil. Segundo os organizadores do evento, o ataque à democracia no país está sendo perpetrado por "forças políticas e econômicas articuladas a setores do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e potencializadas pela grande mídia corporativa".
"Sem conseguir caracterizar
crime de responsabilidade da atual mandatária da nação, a ferramenta do
impeachment torna-se um instrumento golpista para que forças antidemocráticas e
conservadores derrubem um governo legitimamente eleito e regressem ao poder.
Portanto, a vulgarização golpista do impeachment coloca na alça de mira não
apenas um mandato conquistado nas urnas, mas o próprio Estado democrático de
direito. Tal ataque representa uma ameaça real aos direitos sociais, políticos
e econômicos da imensa maioria trabalhadora da população", conclui a
convocatória do tribunal.
Julgamento simbólico
Abertura: Terça-feira, 19 de julho, às 18 horas
Encerramento: Quarta-feira, 20 de julho, às 12 horas
Local: Teatro Oi Casa Grande – Avenida Afrânio Franco, 290,
Leblon, Rio de Janeiro
Entrada Franca.
Programação
Terça, 19
18 horas – Apresentação do Tribunal
19 horas – Instalação do Tribunal
19h15 – Testemunhas
20 horas – Acusação
21 horas – Defesa
22 horas – Suspensão dos trabalhos
Quarta, 20
09 horas – Reabertura dos trabalhos
09h30 – Início dos votos dos juízes
12 horas – Encerramento dos votos
12h30 – Clausura para deliberação
14 horas – Pronúncia da sentença
14h30 – Entrevista coletiva
Por Maurício
Thuswohl, para a RBA, 19/07/2016
Rua Viriato de Medeiros, Mercado Central de Sobral



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