Relator pede julgamento
de Dilma e diz que crise é fruto de expansão de gastos
Comissão Especial do Impeachment se reúne para apresentação e
leitura do relatório fina do
senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), sobre o pedido de
impeachment da presidenta
afastada Dilma Rousseff (Foto: Marcelo Camargo/Agência
Brasil)
Em seu relatório final sobre a
fase de pronúncia do processo do impeachment contra a presidenta
afastada Dilma Rousseff, apresentado nesta terça-feira (2) à Comissão Especial
do Impeachment do Senado, o relator senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) defende
que a petista seja levada a julgamento final pelo Senado. O relator argumenta
que Dilma abriu créditos suplementares sem autorização do Congresso Nacional e
fez operações de crédito com instituição financeira controlada pela União, as
chamadas pedaladas fiscais.
O senador Antonio Anastasia apresenta o relatório final à
Comissão
do Impeachment(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
No relatório, Anastasia diz que a crise econômica que o
Brasil atravessa hoje é fruto do que ele chamou de “expansão insustentável do
gasto público” feito no governo de Dilma Rousseff. O relator destaca que os
artifícios e manobras fiscais utilizados para a expansão do gasto implicaram
perda de confiança dos agentes econômicos, dos investidores, das pessoas
físicas, nos números da economia e no futuro da economia, e, hoje, em perda do
grau de investimento do Brasil pelas principais agências de classificação de
risco.
Ainda segundo o tucano, com tudo
isso vem a percepção, para a comunidade internacional, de que o Brasil não é um
país comprometido com metas fixadas em lei, e que os compromissos de ordem
financeira não são levados a sério no país.
“Trata-se de conduta grave, que
atenta não apenas contra a responsabilidade fiscal, mas, principalmente, contra
as prerrogativas do Congresso Nacional. Embora a política fiscal seja executada
pelo Poder Executivo, ela somente se legitima pela aprovação do Poder
Legislativo, que é o representante maior da sociedade brasileira".
O controle da tributação e do
gasto público é uma das funções essenciais do Parlamento, que antecede,
historicamente, a função legislativa propriamente dita, e que se encontra no
âmago da própria concepção do Estado de Direito”, destacou, nas conclusões do
voto.
O documento de 441 páginas, que
será lido na íntegra por Anastasia, sustenta que Dilma Rousseff feriu oito
princípios, dentre os quais, do planejamento, da prudência, o da transparência,
separação de Poderes, equilíbrio das contas públicas e legalidade.
Ainda no voto distribuído aos
senadores, Anastasia diz que nesse processo a sociedade brasileira precisa
observar o que ele considera pontos fundamentais. “Em primeiro lugar, o descontrole
fiscal compromete a sustentabilidade das políticas públicas de serviços
fundamentais para a sociedade, que nada mais são do que a justa contraprestação
do governo aos tributos pagos pelos cidadãos.
Em segundo lugar, o desequilíbrio
das contas públicas amplia o endividamento público e impacta vários indicadores
econômicos (como inflação, PIB, desemprego e taxa de juros), que, por sua vez,
representarão prejuízos à qualidade de vida da população. Por fim, o Poder
Legislativo, que é a caixa de ressonância da sociedade, não pode ter suas
funções constitucionais de fiscalização e controle do orçamento usurpadas pelo
Poder Executivo. A democracia também exige o controle da sociedade sobre a
gestão do dinheiro público”.
Reunião longa
O início da reunião foi marcado
pela apresentação de questões de ordem e requerimentos de senadores do PT e do
PcdoB para a adiar a leitura do relatório por senadores que defendem o mandato
de Dilma Rousseff. O grupo é constantemente acusado de tentar procrastinar o
processo pelos opositores da petista, que na comissão estão em maioria. Com
isso, a leitura do relatório ainda não começou.
Na fase, anterior a esta, a de
admissibilidade do processo no Senado, a leitura do relatório de Anastasia
durou quase três horas. Desta vez, a expectativa é de que a conclusão demore
ainda mais, já que o documento é, segundo o relator, mais consistente.
De acordo com o calendário da
comissão, durante a reunião de hoje será feita apenas a leitura do relatório.
Ao final, será dado automaticamente prazo para vistas do documento, ou seja,
mais tempo para que ele seja analisado pelos senadores antes da discussão do
conteúdo, amanhã a partir das 11 horas.
Na quinta-feira (4), no mesmo
horário, os senadores do colegiado votarão parecer de Anastasia pelo prosseguimento
do processo. Independentemente do resultado na comissão, a palavra final sobre
essa segunda fase será dada na terça-feira (9) em mais uma votação, a primeira
presidida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo
Lewandowski no plenário da casa.
De Brasília, Karine Melo
– Repórter da Agência Brasil, 02/08/2016, às 13h42
Rua Viriato de Medeiros, Mercado Central de Sobral




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