E o Brasil trocou uma mulher honesta por um chefe de quadrilha
Quem vê de fora não conseguirá jamais entender o Brasil. Que país
é esse em que a população sai às ruas e se veste com as cores nacionais para
protestar contra a corrupção e, ao longo desse processo, depõe uma presidente
honesta e a substitui por um chefe de quadrilha, segundo a Polícia Federal?
Pois foi isso o que aconteceu no
Brasil. De acordo com o organograma apresentado hoje pelos policiais federais,
Temer é o chefe de uma máfia montada para assaltar o País. Entre seus amigos,
há vários presos. Um deles, Geddel Vieira Lima, apanhado num bunker onde se fez
a maior apreensão de dinheiro sujo da história do Brasil: R$ 51 milhões. Outro,
Eduardo Cunha, flagrado com várias contas no exterior. No powerpoint da PF,
aparecem ainda o presidiário Henrique Eduardo Alves e outros, como Moreira
Franco e Eliseu Padilha, que se mantêm protegidos graças ao foro privilegiado.
Usurpadores do poder, os amigos de
Temer, ao que tudo indica, continuaram assaltando o Estado. Nesta terça-feira,
o ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, autorizou uma
investigação contra Temer e Rodrigo Rocha Loures, seu homem da mala, por
propinas pagas no Porto de Santos (SP) pela empresa Rodrimar.
Contra a presidente legítima Dilma
Rousseff, no entanto, não há a acusação de que ela tenha desviado um clips do
Palácio do Planalto. Ter Temer e sua quadrilha (segundo a PF) no poder é uma
situação vexatória para o Brasil e a única saída digna seria a anulação do
golpe e um pedido coletivo de desculpas a Dilma. Mas isso, evidentemente, não
acontecerá graças ao povo brasileiro, que protestou contra a corrupção para
instalar uma máfia no poder.
Abaixo, reportagem da Agência Brasil
sobre a nova investigação contra Temer:
O ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF) Luís Roberto Barroso decidiu hoje (12) abrir inquérito para investigar o
presidente Michel Temer e o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, além de
mais dois empresários, por suspeitas de crimes de corrupção ativa, passiva e
lavagem de dinheiro.
O pedido de abertura de investigação
foi feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para apurar
suspeitas de recebimento de vantagens indevidas dos envolvidos pelo suposto
favorecimento da empresa Rodrimar S/A por meio da edição do Decreto dos Portos
(Decreto 9.048/2017).
O pedido de abertura do inquérito
chegou ao Supremo em junho e foi remetido ao ministro Edson Fachin. Ao receber
o processo, o ministro entendeu que o caso deveria ser redistribuído a outro
integrante da Corte por não ter conexão com o inquérito que envolve Temer a
partir das delações da JBS.
Nesta semana, a presidente da Corte,
ministra Cármen Lúcia, determinou uma nova distribuição e Barroso foi escolhido
o novo relator.
Para Janot, a edição do decreto
"contemplou, ao menos em parte, as demandas" de Rocha Loures em favor
da Rodrimar.
Com a decisão do ministro Barroso,
também serão investigados os empresários Ricardo Conrado Mesquita e Antônio
Celso Grecco, ambos ligados à empresa.
Por André
Richter - Repórter da Agência Brasil, em 11/09/2017. Publicado em Brasil 247, em 13/09/2017


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