Seis bilionários têm a renda de 100 milhões de brasileiros

Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Oxfam deu a dimensão pornográfica da concentração de renda no Brasil. Apenas seis bilionários, Jorge Paulo Lemann (AB Inbev), Joseph Safra (Banco Safra), Marcel Hermmann Telles (AB Inbev), Carlos Alberto Sicupira (AB Inbev), Eduardo Saverin (Facebook) e Ermirio Pereira de Moraes (Grupo Votorantim), concentram a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres do país – quase 50% da população.
Além disso, um brasileiro que vive do salário mínimo teria que trabalhar 19 anos para ganhar o que um super-rico recebe por mês no Brasil.
Aqui, os 5% mais ricos têm a mesma riqueza que os 95% restantes.
(Merchandising)
Abaixo,
reportagem da agência Reuters sobre a pesquisa:
Alessandra dos Santos tem 37 anos, dois filhos, e ganha um salário
mínimo trabalhando como auxiliar de professora em uma escola.
Com esse salário, Alessandra precisaria trabalhar por 19 anos seguidos
para receber o mesmo que o 0,1 por cento mais rico da população brasileira
ganha em um mês, segundo estudo “A Distância Que Nos Une”, da Oxfam Brasil,
divulgado nesta segunda-feira.
O levantamento ilustra a situação de desigualdade social no Brasil,
considerado o 3º país mais desigual da América Latina, somente atrás da
Colômbia e Honduras, e o 10º mais desigual do mundo, pelo último relatório do
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Os dados levam em
conta o Índice de Gini.
Esses números retratam uma realidade que distancia parte da população de
serviços básicos, como oferta de água ou de médicos, aumenta as taxas de
mortalidade infantil e diminui a expectativa de vida ao nascer de muitos
brasileiros, demonstrou o estudo.
O valor do salário mínimo também é um aspecto da desigualdade social no
Brasil. Com uma filha na escola, e um bebê recém-nascido, o valor mensal de 937
reais não é suficiente para cobrir as despesas da casa de Alessandra.
“Não dá praticamente para nada”, diz a auxiliar de professora de uma
escola de Niterói (RJ).
Katia Maia, diretora-executiva da Oxfam Brasil, explica que o valor
ainda está distante “do que seria um salário mínimo ideal, mais inclusivo e que
realmente enfrentasse as desigualdades que a gente tem hoje” no Brasil.
“O que nos choca muito, na verdade, é que o Brasil é um país desigual
com potencial para não ser desigual. É um país rico, é um país que tem as
condições de enfrentar e reduzir a desigualdade extrema que nós temos”, diz
Katia em entrevista à Reuters, destacando que nos últimos 15 anos, 28 milhões
de brasileiros saíram debaixo da linha da pobreza.
O estudo demonstra, entretanto, que esse progresso foi interrompido, o
que Katia associou à crise econômica e política que tem abalado o país nos
últimos anos, agravada pela agenda de reformas do governo atual, segundo ela,
como a trabalhista e da Previdência, e por uma política de corte de gastos
sociais.
“Você tem uma reforma trabalhista que retira direitos importantíssimos
para o trabalhador, ou seja, em um momento de crise econômica... você
desprotege totalmente o trabalhador brasileiro na sua negociação com o
empregador”, diz Katia, que também acusou a reforma da Previdência de penalizar
apenas os mais pobres e a classe média.
Sancionada pelo presidente Michel Temer em julho, a reforma trabalhista
prevê, por exemplo, que acordos entre empregados e patrões se sobreponham à
legislação vigente, busca diminuir a intervenção da Justiça trabalhista nas
negociações entre as partes e permite o trabalho intermitente. A reforma da
Previdência ainda tramita pela Câmara dos Deputados.
O governo defende que a reforma trabalhista vai modernizar as relações
de trabalho e, portanto, acelerar a criação de empregos e justifica a reforma
da Previdência como necessária para o ajuste das contas públicas.
Para reverter o quadro de desigualdade, a Oxfam Brasil propõe alterações
no que chama de “sistema tributário amigo dos super-ricos”, que onera
principalmente os mais pobres e a classe média, maiores gastos sociais e maior
formalização no mercado de trabalho.
“As desigualdades, elas não são inevitáveis. Elas são escolhas
políticas”, afirma Katia.
Do Rio de Janeiro, Maria Clara Pestre, para a
Agência Reuters. Publicado em Brasil 247, em 25/09/2017.



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