sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Opinião - Artigo

ÁGUAS MINEIRAS
Inocêncio Nóbrega (*)
É vasta a literatura sobre as secas no nordeste brasileiro. A imprensa da região tem debatido, com amplitude possível, suas causas e efeitos, baseando-se em histórias de ficção, tradições de nossos ancestrais, comportamentos culturais e estudos científicos. Foram muitas as profecias e crendices que tomaram conta das populações mais atingidas.
Há registros de estiagens, prolongadas ou não, desde 1559, quando os índios dos sertões buscavam refúgios nos litorais nordestinos. Na de 1844, uma das providências do governo imperial foi a de recrutar parte desses necessitados para o campo de lutas, na Guerra dos Farrapos. A de 1877, a mais desesperada de todas, cobriu o próprio território gaúcho.  Técnicos do CTA concluíram que de 26 em 26 anos há uma tendência de longos períodos de estio, em média de seis a sete anos.
Num desses, o de 1984, o presidente. João Figueiredo chegou a declarar, depois de visita ao Recife, sede da Sudene, de que “se o problema é água, o que falta é água, então vamos à água...”. Mas suas boas intenções deram em “burro n’agua”, isto é, em nada. O tema era abordado nos gabinetes, nos parlamentos, nas praças, nas esquinas. Não só a sede envolvia nossos irmãos do nordeste, mas a fome, também. Sem haver safras, consequentemente faltavam alimentos. Apenas algumas frentes de trabalho.
Minha Soledade, da Paraíba encontrava-se nessa situação, igualmente em 1984.  Ela não esquece o gesto humanitário de sua có-irmã Soledade do Rio Grande do Sul, que a enviou dois caminhões de mantimentos, pessoalmente entregues por uma comitiva de quatro patrícios, comandada pelo prof. Paulo Borges. Integravam-na: sua esposa, Eliane Borges, Frei Cirilo, da paróquia Nª Srª da Soledade, e o jornalista João Alberto de Souza, todos do meu ciclo de amizades.
Agora, a solidariedade se volta para Soledade de Minas, entre outras. É de lá que o Rio S. Francisco também recebe água através de um de seus afluentes, o Rio Verde, que vem da Mantiqueira, cumprimenta o território soledadense, seguindo seu curso até despejar no Velho Chico, a cumprir sua missão de integração nacional. De águas miraculosas, que vão dessedentar 12 milhões de brasileiros.  Um outro, a sub-bacia Ribeirão Boa Vista, tributário do Rio Itapecerica, e este do Rio Pará de Minas, o qual igualmente deságua no Velho Chico. 

Eis o milagre da tecnologia, só possível a acontecer com a ação de dois presidentes, Lula e Dilma. Soledade, portanto, agradece às ambas Soledade. Município do semiárido paraibano, de 14 mil habitantes, hoje às voltas de intenso frio, nos seus 560 m de altitude, acima do nível do mar: 16 º, habituada a uma média anual entre 26 e 27º, podendo alcançar 30º. Satisfeitos com a água que chega as suas torneiras, resignados dizem que não passa de um revide de S. José e S. Pedro, pois S. Chico invadiu sua área de devotos. 
(*) - Inocêncio Nóbrega é Jornalista e Escritor, articulista deste blog. Publicação em 08/09/2017

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