Após relatório da PF, Temer critica
'barbárie de punição sem provas'
Sem citar nomes, o presidente
Michel Temer atacou a Polícia Federal (PF) um dia
depois de o órgão apontar indícios de crime praticado por ele,
ministros e deputados do PMDB. Em nota nesta terça-feira, Temer diz que
"garantias individuais estão sendo violentadas, diuturnamente", e que
há a tentativa de condenação sem ouvir os acusados. O peemedebista ainda disse
que falsos testemunhos alteram o passado.
"O Estado Democrático de Direito
existe para preservar a integridade do cidadão, para coibir a barbárie da
punição sem provas e para evitar toda forma de injustiça. Nas últimas semanas,
o Brasil vem assistindo exatamente o contrário.
Garantias individuais estão sendo
violentadas, diuturnamente, sem que haja a mínima reação. Chega-se ao ponto de
se tentar condenar pessoas sem sequer ouvi-las", diz comunicado do Palácio
do Planalto. A nota só traz defesa direta ao relatório da PF em uma frase,
quando diz que as doações privadas em campanhas eleitorais eram previstas em
lei.
Além de afirmar que reputações são
destruídas e que acusados não são ouvidos, Michel Temer atacou
"facínoras" e "bandidos", sem citar nomes. Segundo ele, os
"facínoras" roubam a verdade, ao passo que bandidos constroem versões
sem consistência para alcançar "impunidade" ou "perdão".
Temer ainda menciona "ações
clandestinas". As declarações do presidente vêm um dia após a prisão de
Joesley Batista, dono da JBS e delator que o gravou no Palácio do Jaburu.
Também nesta segunda-feira, a Polícia
Federal apontou indícios de crimes de Temer, dos ministros Eliseu Padilha (Casa
Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral), do ex-ministro Geddel Vieira Lima e
dos ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves.
"O grupo agia através de infrações
penais, tais como: corrupção ativa, passiva, lavagem de dinheiro, fraude em
licitação, evasão de divisas, entre outros crimes cujas penas máximas são
superiores a 4 anos", afirmou a PF, em nota, nesta segunda-feira. O
Planalto havia respondido que Temer "não praticou e nem participou de
nenhuma quadrilha".
De Brasília, Eduardo Barretto, para O Globo, em 12/09/2017,
às 14h10

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