Câmara
analisa desmembramento da denúncia contra Temer e dois ministros
A Câmara dos Deputados analisa a possibilidade de desmembrar a denúncia
apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente
Michel Temer e dois ministros de seu governo - Eliseu Padilha, da Casa Civil, e
Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência. A possibilidade de
fatiamento foi levantada por alguns parlamentares depois da chegada da denúncia
à Câmara na última quinta-feira (21).
Os defensores do desmembramento argumentam que a nova denúncia envolve a
participação de três autoridades e a imputação de dois crimes diferentes,
obstrução de justiça e organização criminosa e, por isso, devem ser analisados
separadamente. “Eu sou a favor do fatiamento, cada um com o seu assunto. Cada
um é um problema e cada um tem o seu CPF. O cidadão não responde pelo CPF dos
outros” disse o líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO).
A Secretaria-Geral da Mesa já deu início à tramitação da denúncia como
peça única. Segundo o secretário adjunto da Câmara, Égio Almeida, a Mesa
Diretora entendeu que o processo deve seguir da maneira como foi encaminhada
pelo Supremo Tribunal Federal.
Ele adiantou, no entanto, que a Comissão de Constituição, Justiça e
Cidadania (CCJ), à qual cabe a responsabilidade de apresentar parecer sobre o
prosseguimento da acusação, pode ter entendimento diferente. A análise do
fatiamento e de suas consequências sobre a tramitação do processo é feita pelos
técnicos da comissão, que passaram o fim de semana elaborando um parecer sobre
o assunto.
O resultado do levantamento já foi encaminhado ao presidente da CCJ,
deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), que ainda estuda a possibilidade. Pacheco
deve designar um relator para elaborar o parecer, a ser votado pela comissão e
encaminhado para análise do plenário.
“A Comissão de Constituição e Justiça não pode deixar de ter um papel
importante de orientação jurídica e constitucional da Câmara dos Deputados. Se
porventura houver algum tipo de retificação em relação àquilo que foi
determinado pela Secretaria-Geral da Mesa, vamos então provocar a discussão com
o presidente Rodrigo Maia, para que a gente chegue a um denominador comum”,
disse hoje Pacheco.
O deputado reiterou que a nova denúncia é diferente da primeira e
ressaltou que embasará sua decisão no regimento interno da Câmara e na Constituição
Federal, que também prevê a necessidade de autorização da Câmara para
investigação de ministros de Estado. Pacheco só vai divulgar sua decisão depois
que a denúncia chegar à comissão.
Antes de seguir para a CCJ, a denúncia precisa ser lida no plenário da
Câmara, o que pode ocorrer ainda hoje se houver o quórum mínimo de dez por
cento dos parlamentares presentes à Casa.
(Merchandising)
Base aliada
Deputados integrantes da base aliada ao governo defendem que o processo
tramite de forma unificada. No entendimento de alguns parlamentares, cabe ao
Supremo a decisão de desmembrar ou não a investigação.
“Nós não devemos ficar discutindo se a denúncia A deve ser separada da
denúncia B. Há uma denúncia envolvendo tanto a organização criminosa quanto a
tentativa de obstrução dessa investigação. Se houvesse intenção de fazer essa
separação, o próprio ex-procurador geral [da República] Rodrigo Janot, como
também o Supremo, teriam dividido. Tanto o ex-procurador, quanto o plenário do
Supremo decidiram mandar a denúncia em conjunto. Portanto, essa denúncia deverá
ser analisada e votada em conjunto tanto pela CCJ, quanto pelo plenário da
Câmara dos Deputados”, disse o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM).
Segunda denúncia
A segunda denúncia foi apresentada ao STF pelo ex-procurador geral da
República Rodrigo Janot, no último dia 14 de setembro. Nesse processo, Janot
acusa Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, ambos do PMDB, de
terem formado esquema de corrupção, envolvendo integrantes do partido na
Câmara, com o objetivo de obter vantagens indevidas em órgãos da administração
pública.
Na acusação por obstrução de Justiça, Temer teria atuado para comprar o
silêncio do doleiro Lúcio Funaro, um dos delatores nas investigações, que teria
sido o operador do suposto esquema. A interferência teria ocorrido por meio dos
empresários da JBS, Joesley Batista e Ricardo Saud, que são acusados do mesmo
crime.
A defesa de Michel Temer contestou as acusações e apresentou ao STF
pedido para que a denúncia fosse devolvida à PGR. Mas, o plenário da Corte
decidiu encaminhar a denúncia para a Câmara, à qual cabe autorizar ou não o
prosseguimento da investigação na Justiça.
Depois de passar pela CCJ, a denúncia deverá ser analisada em plenário,
onde deve receber pelo menos 342 votos, o que corresponde a dois terços dos 513
deputados, quórum exigido pela Constituição para que denúncias contra um
presidente da República sejam investigadas pelo Supremo. A previsão do
presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é de que a votação da denúncia se
encerre até o fim de outubro.
O vice-líder do governo na Câmara, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS),
disse que a previsão é de que a denúncia seja votada em plenário até o dia 22
de outubro.



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