Globo: provas contra Temer não podem ser
anuladas

Na véspera da sessão do Supremo Tribunal Federal que pode anular as
provas de corrupção contra Michel Temer e Aécio Neves, protagonistas do golpe
de 2016, a Globo, que apoiou esse processo, publica editorial em que defende a
sua validade.
"Há passos importantes ainda a serem dados. Um deles, amanhã,
quando o Supremo deve decidir se as provas apresentadas por Joesley, na delação
— a conversa gravada com Temer e seu desdobramento na pressa com que Rocha
Loures puxou maleta com R$ 500 mil por São Paulo — continuam válidas ou caem
com o rompimento do acordo. Destaque-se que o próprio acordo preserva essas
provas, entendimento que também é de juristas e de ministros da Corte. Este
será mesmo o melhor desfecho para o caso. Puna-se quem rompeu o acordo, mas que
isto não sirva de pretexto para se deixar crimes impunes", diz o jornal da
família Marinho, no texto O melhor desfecho para a delação
de Joesley.
Resta saber se essa posição é real – ou apenas jogo de cena.
Leia,
abaixo, reportagem da Agência Brasil sobre os crimes atribuídos a Michel Temer
e ao quadrilhão do PMDB:
Inquérito da Polícia Federal (PF) concluído hoje
(11) apresenta indícios da prática de crimes por parte do presidente Michel
Temer e demais integrantes do chamado “grupo do PMDB da Câmara”, segundo nota
divulgada nesta segunda-feira pela PF. De acordo com as investigações, o grupo
seria composto pelos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria
de Governo, Moreira Franco, além dos ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique
Eduardo Alves, e do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.
De acordo com a PF, a cúpula do PMDB mantinha “estrutura organizacional
com o objetivo de obter, direta e indiretamente, vantagens indevidas em órgãos
da administração pública direta e indireta”. Ainda segundo o inquérito, que
será enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o grupo praticou os crimes de
corrupção ativa, passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e evasão de
divisas.
Outro
lado
Em nota, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da
República informou que Temer “não participou e nem participa de nenhuma
quadrilha”. “O presidente tampouco fez parte de qualquer estrutura com o
objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagens indevidas em órgãos da
administração pública. O presidente Temer lamenta que insinuações descabidas,
com intuito de tentar denegrir a honra e a imagem pública, sejam vazadas à
imprensa antes da devida apreciação pela Justiça”, diz a nota.
A assessoria de imprensa do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha,
informou que ele só irá se pronunciar “quando e se houver acusação formal
contra ele que mereça resposta”
Também por meio da assessoria de imprensa, o ministro Moreira Franco
afirmou que jamais participou de qualquer grupo para a prática de ato ilícito.
“Repudio a suspeita. Responderei de forma conclusiva quando tiver acesso ao
relatório do inquérito. Lamento que tenha que falar sobre o que ainda não
conheço. Isto não é democrático”, diz a nota.
Henrique Eduardo Alves divulgou nota em que diz que faz parte do PMDB há
mais de 40 anos e não de uma organização criminosa. “A tentativa de
criminalizar a atividade política enfraquece a democracia e a sua inocência
será provada ao longo do processo”, disse.
Defesas de Geddel e Cunha foram procuradas e não responderam a
reportagem até o fechamento desta edição.
Presos
Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima estão presos
após investigações da Operação Lava Jato. Cunha está preso em Curitiba, por
ordem do juiz Sérgio Moro, desde 19 de outubro de 2016. Em março de 2017 foi
condenado a 15 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva,
lavagem de dinheiro e evasão de divisas e, em 18 de maio de 2017, teve novo
mandado de prisão expedido pela Justiça.
Eduardo Alves foi preso preventivamente no dia 6 de junho de 2017
pela Polícia Federal na Operação Manus, que investigava corrupção
ativa e passiva e lavagem de dinheiro na construção da Arena das Dunas, em
Natal.
O ex-ministro Geddel Vieira Lima voltou a ser preso, na última
sexta-feira (8), em Salvador, três dias após a Polícia Federal encontrar mais
de R$ 51 milhões, atribuídos a ele, em um apartamento. Anteriormente, ele havia
sido preso preventivamente no dia 3 de julho de 2017, na Operação Greenfield,
que investiga desvio de fundos de pensão.
Por Ivan Richard Esposito - Repórter de Agência
Brasil. Publicado em Brasil 247, em 12/09/2017





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