MPF pede à Justiça absolvição de Lula e
anulação de delação de Delcídio

Procurador
pede a suspensão dos benefícios concedidos a Delcídio do Amaral
(Foto: Fabio
Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
O Ministério Público Federal (MPF) pediu hoje (1º) à Justiça Federal a
absolvição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do banqueiro André
Esteves no processo que apura a suposta tentativa do ex-presidente de obstruir
o andamento da Operação Lava Jato. No mesmo pedido, o procurador responsável
pelo caso também pede a suspensão dos benefícios concedidos com base na delação
premiada do ex-senador Delcídio do Amaral.
Nas alegações enviadas ao juiz
Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal em Brasília, responsável pelo caso, o
procurador da República Ivan Cláudio Marx concluiu que não há provas de que
Lula e Esteves participaram dos supostos crimes imputados pelo ex-senador nos
depoimentos de delação.
"Para o procurador, ao
contrário do que afirmou Delcídio do Amaral - tanto na colaboração quanto no
depoimento dado à Justiça -, o pretendido silêncio de Cerveró, que à época
cumpria prisão preventiva, não foi encomendado ou interessava a Lula, mas sim
ao próprio senador", diz nota do MPF.
O procurador afirmou ainda que
Delcídio mentiu em seus depoimentos e que os fatos citados por ele levaram à
abertura de ação penal contra sete pessoas. De acordo com Marx, o ex-senador
escondeu a origem dos recursos que teriam sido providenciados supostamente para
comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
"No entanto, atribuiu
falsamente a Lula a ordem para a prática do crime, e falsamente à família
Bumlai [ligada a Lula] o pagamento da quarta e quinta entregas de valores para
comprar o silêncio de Cerveró. Assim agindo, escondeu do Ministério Público
Federal sua real função de chefe no esquema referido, angariando benefícios que
não receberia se a verdade prevalecesse", sustentou o MPF.
De Brasília, André Richter - Repórter da Agência Brasil,
01/09/2017, às 16h42


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