Instável, Geddel já preocupa Planalto
com sua possível delação

O Palácio do Planalto se preocupa hoje mais com a possibilidade de o
ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso desde o dia 8, fechar um acordo de
delação premiada do que com a nova denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral
da República na semana passada contra Michel Temer.
Em relação a Geddel, a avaliação no Planalto é de que a situação é
“praticamente incontornável” depois que a Polícia Federal encontrou R$ 51
milhões em espécie em um apartamento em Salvador, onde foram identificadas as
impressões digitais do ex-ministro.
A apreensão do dinheiro, entretanto, segundo os investigadores, jogou
por terra o discurso da defesa de que as acusações eram versões de delatores
interessados em benefícios. Os R$ 51 milhões materializaram as provas
necessárias para sustentar as afirmações dos colaboradores. A homologação da
delação de Funaro fortaleceu a tese da acusação contra Geddel.
Além disso, o ex-diretor de Defesa Civil de Salvador Gustavo Pedreira,
apontado como homem de confiança de Geddel, cujas impressões digitais também
foram encontradas no apartamento, afirmou estar disposto a colaborar com as
investigações. Ele já confirmou ter buscado dinheiro em São Paulo a pedido de
Geddel. Não está descartada a possibilidade de o ex-ministro ser alvo de outras
denúncias.
Distanciamento. Geddel, ao lado de Temer, fazia parte do núcleo duro do
PMDB, que inclui os atuais ministros e também denunciados Eliseu Padilha (Casa
Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral). O Planalto avalia que Geddel é
temperamental e emotivo e, por isso, não aguentaria muito tempo na prisão.
Essas características, disse um auxiliar, podem aumentar ainda mais as chances
de o ex-ministro fornecer informações em troca de benefícios.
As informações são de reportagem de Carla Araújo e
Tânia Monteiro no Estado de S.Paulo, 19/09/2017



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