Base quer
fatiar segunda denúncia; CCJ vai decidir
Líderes de partidos do Centrão querem que a Câmara dos Deputados
desmembre em pelo menos dois processos a análise da nova denúncia contra o
presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira
Franco (Secretaria-Geral da Presidência) apresentada pela Procuradoria-Geral da
República. Já líderes governistas defendem que a análise seja feita de forma
conjunta na Casa para acelerar o trâmite e evitar que os ministros fiquem
vulneráveis em uma votação separada.
Nesta sexta-feira, 22, a Secretaria-Geral da Mesa Diretora decidiu não
fatiar a denúncia, que será encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ). Caberá ao colegiado definir.
Parlamentares governistas avaliam que o Centrão defende o julgamento
separado para pressionar o Planalto por mais cargos e liberação de emendas, em
troca do voto para barrar o prosseguimento da denúncia. “Não há razão para
fatiamento do parecer”, defendeu o deputado Marcos Rogério (DEM-RO), um dos
cotados para relatar a segunda denúncia. Além do parlamentar de Rondônia, é
cotado para assumir a função o deputado Evandro Gussi (PV-SP).
A nova acusação formal contra Temer chegou nesta quinta-feira, 21, à
Câmara, mas só será encaminhada à comissão na segunda-feira, 25, após ser lida
no plenário e Temer, notificado. Na manhã desta sexta-feira, houve uma
tentativa de leitura, mas a sessão não foi aberta por falta de quórum.
A decisão da Mesa Diretora de recusar o desmembramento segue
interpretação do Supremo Tribunal Federal (STF) de 1990. A jurisprudência da
Corte prevê que, se os ministros são acusados da prática de crime conexo ao do
presidente da República no exercício do mandato, eles também precisariam de
autorização da Câmara para serem processados. Diferentemente da primeira
denúncia, que acusava apenas o presidente por crime de corrupção passiva, o
segundo pedido incluiu os dois principais auxiliares de Temer no Palácio do
Planalto na acusação de obstrução da Justiça e organização criminosa.
Líderes do Centrão argumentam que a denúncia contra o presidente deveria
ser separada dos ministros porque a eventual aceitação da acusação contra Temer
neste momento teria um impacto negativo na economia. Já contra os ministros,
que são da área política, não haveria esse tipo de consequência.
“Uma coisa é o presidente da República, outra coisa são os ministros. A
consistência do impacto que a aceitação da denúncia pode causar, até do ponto
de vista econômico, é diferente”, disse o líder do PSD na Câmara, deputado
Marcos Montes (MG), que comanda a quinta maior bancada da Casa, com 39
parlamentares.
Segundo Montes, na análise da primeira denúncia contra Temer, o
principal argumento usado pelos parlamentares da base para barrar o
prosseguimento da acusação era que um eventual afastamento do presidente
prejudicaria a economia.
“Será que os ministros também causam (impacto na economia)? Acho
que não”, disse. “Não estamos aqui para proteger ninguém.”
‘Personagem’. À frente da sexta maior bancada da Câmara, com 38
deputados, o líder do PR na Casa, José Rocha (BA), também defende que os ministros
Padilha e Moreira sejam julgados separadamente. “Cada personagem é um
personagem diferente. Tem que ver a participação de cada um na denúncia.”
Também integrantes do Centrão, PTB, Solidariedade e PSC seguem a mesma
linha. “Entendo que tem que ser separado. Não pode juntar o caso específico do
presidente, até porque os ministros não atrapalhariam economicamente o País”,
disse o líder do Solidariedade, deputado Aureo (RJ).
Para o líder do PTB, Jovair Arantes (GO), a CCJ deve elaborar três
pareceres diferentes: um para Temer e um para cada ministro. ”Tem que
separar, até porque são CPFs diferentes”, afirmou. “Não estou disposto a olhar
lado de ministro. Não é problema nosso. Temos que fazer dentro da legalidade.”
O líder do PSC, deputado Professor Victório Galli (MT), defende dois
relatores, um para Temer e outro para os dois ministros. “A situação do
presidente é de foro bem mais privilegiado.”
“Não tem cabimento julgar separado. Tem que ser junto. Se são acusados
do mesmo crime (organização criminosa), não há por que julgar separado”,
reagiu o vice-líder do governo na Câmara e integrante da tropa de choque de
Temer, deputado Beto Mansur (PRB-SP). Ele admitiu que o julgamento separado
pode deixar os ministros mais vulneráveis.
Ao enviar a denúncia à Câmara desta vez, o STF não estabeleceu de que
forma deve ser feita a análise dela em relação aos ministros. Técnicos
parlamentares passaram a manhã desta sexta-feira reunidos e decidiram não
questionar formalmente a Corte sobre como a Casa deve proceder em relação aos
ministros.
Em análise preliminar, o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG),
avalia que, se a PGR enviou uma única peça, não há motivo para a Câmara
desmembrá-la. Técnicos da CCJ também vão estudar o tema, já que o novo pedido
tem aspectos diferentes.





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