Líderes do Senado se reúnem nesta terça
em busca de consenso para fundo eleitoral
Líderes partidários do Senado se reúnem nesta terça-feira (26) para
tentar chegar a uma versão do projeto que cria um fundo – com recursos públicos
– para financiamento de campanhas com condições de ser colocado em votação no
plenário.
O almoço foi organizado pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira
(PMDB-CE), e a ideia em debate, segundo o G1 apurou, é limitar
a proposta à criação do fundo, retirando do texto trechos que modificam outras
regras eleitorais.
Pela proposta apresentada pelo senador Armando Monteiro (PTB-PE) na
semana passada, o fundo eleitoral seria constituído por recursos oriundos de:
50% do total das emendas parlamentares de bancada constantes da Lei
Orçamentária Anual. Os recursos abasteceriam o fundo exclusivamente em ano
eleitoral. As emendas de bancada consistem em indicações feitas pelos
parlamentares de um estado para aplicação de recursos do Orçamento da União em
obras e serviços nesse estado;
montante equivalente à isenção fiscal das emissoras comerciais de rádio
e TV que veiculam propaganda partidária (fora do período eleitoral), que seria
extinta. O horário eleitoral gratuito ficaria mantido.
(Merchandising)
Com essas regras, estima-se que o valor do fundo seria cerca de R$ 3,5
bilhões, a maior parcela advinda das emendas.
Além da criação do fundo, Monteiro previa várias modificações nas regras
eleitorais em pontos como: prazo para troca de legendas, habilitação de
candidaturas, propagandas e direito de resposta na internet, tempo de campanha,
limites para gastos e prestação de contas.
O projeto previa, inclusive, a permissão para partidos realizarem bingos
para arrecadar recursos para campanhas.
Esses pontos que não tratam da instituição do fundo eleitoral seriam
retirados do texto.
Os parlamentares que articulam o projeto também estudam diminuir a
porcentagem do total de emendas parlamentares de bancada destinada a abastecer
o fundo. O percentual passaria de 50% para 30%. Com a redução, o valor do fundo cairia para cerca de R$ 2 bilhões.
Críticas
Parlamentares contrários à proposta criticaram a utilização de recursos
de emendas parlamentares de bancada para a composição do fundo.
Esses senadores – entre eles o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO) –
argumentaram que a medida pode retirar recursos de obras de infraestrutura e de
áreas sociais, como saúde e educação.
Defensores do texto, por outro lado, disseram que a proposta não retira
recursos de saúde e educação. Romero Jucá e Eunício Oliveira fizeram
manifestações nesse sentido.
Técnicos do Congresso ouvidos pelo G1 disseram que
não é possível afirmar que o uso das emendas pode retirar recursos de saúde e
educação.
Segundo esses técnicos, o destino das emendas é definido pelos
integrantes da bancada e podem, ou não, ser empregados em saúde e educação.
Caiado, que é autor de outra proposta sobre a criação de um fundo
eleitoral, também critica o fato de a proposta não deixar claro qual será o
teto do fundo para financiamento de campanhas.
A falta de consenso sobre a proposta adiou a votação do projeto que
estava prevista para a última quarta-feira (20). Senadores farão uma nova
tentativa nesta terça.
Por Gustavo Garcia, G1, Brasília, em 26/09/2017,
às 05h00



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