Segóvia
defende prerrogativa da PF de fechar delações premiadas

O delegado
Fernando Queiroz Segóvia assume a direção da Polícia Federal
(Foto: José Cruz/Agência Brasil)
O novo diretor-geral da Polícia
Federal (PF), Fernando Segóvia, defendeu a prerrogativa da corporação de fechar
acordos de delações premiadas. O assunto é motivo de divergências entre o
Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal. Para os procuradores, a
lei que dá essa atribuição aos policiais é inconstitucional e deve ser uma
função exclusiva do MPF. Uma ação direta de constitucionalidade tramita no
Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o assunto.
“Já está na lei que a PF tenha a
atribuição de fazer as delações premiadas, o que nada mais é que um meio de
investigação. Como ferramenta de investigação, ela tem que fazer parte da
atuação da PF e nós não vamos desistir dessa atribuição”, disse Segóvia, ao
conceder entrevista à imprensa após assumir o cargo.
Investigação
Segóvia avaliou que a procuradoria
pode ter agido de maneira apressada na investigação em que o
ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou o presidente Michel
Temer por corrupção no caso envolvendo as delações de executivos da JBS.
“A gente acredita que se fosse pela
égide da PF, essa investigação teria que durar mais tempo, porque uma única
mala talvez não desse toda a materialidade criminosa que a gente necessitaria
para resolver se havia ou não crime, quem seriam os partícipes e se haveria ou
não corrupção”, avaliou.
Ainda segundo Segóvia, "esse é
um ponto de interrogação que está no imaginário popular que poderia ter sido
respondido se a investigação tivesse durado mais tempo".
A mala a que Segóvia se refere é a
que foi flagrada por investigadores da PF com o ex-deputado Rodrigo Rocha
Loures, ao sair de uma pizzaria em São Paulo. Loures foi acusado de ter
recebido R$ 500 mil de um executivo da JBS. Na ocasião, Rodrigo Janot
denunciou Temer de ter se aproveitado da condição de chefe do Poder Executivo e
ter recebido, por intermédio do ex-assessor Rodrigo Rocha Loures “vantagem
indevida” de R$ 500 mil. O valor teria sido ofertado por um representante do
empresário Joesley Batista, investigado na Operação Lava Jato. A denúncia
contra Temer foi rejeitada pela Câmara dos Deputados.
Carta branca
Fernando Segóvia disse ainda que
recebeu carta branca do presidente da República, Michel Temer, para desempenhar
sua nova missão e disse que atuará de forma “republicana”, sem posicionamento
político-partidário.
Atuação com a PGR
O delegado também reforçou que, em
conversas prévias com a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge,
ficou acertado que a Polícia Federal e o MPF trabalharão de forma conjunta e
mais alinhada para concluir investigações que estão no STF e que, para isso,
será criada uma força-tarefa entre as duas instituições.
De Brasília, Karine Melo - Repórter da
Agência Brasil, 20/11/2017 21h41, atualizada em 21/11/2017




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