Judiciário que julga hoje Gleisi é o
mesmo que protege Aécio. Justiça?

A discrepância de velocidade e
empenho do judiciário com relação a processos envolvendo petistas e tucanos
ganha um novo capítulo com o julgamento de Gleisi Hoffmann, agendado para hoje
no STF (Supremo Tribunal Federal). Ontem, a PGR (Procuradoria Geral da
República) pediu 60 dias para o caso de Aécio Neves. Hoje, ela pede a
condenação de Gleisi Hoffmann em um processo vazio e sem provas materiais.
Baseado apenas em delações, o
processo contra a presidente do PT se apresenta com um claro viés
político-eleitoral da suprema corte e do poder judiciário como um todo. Chega a
impressionar a ‘sem-cerimônia’ das instâncias da justiça em acelerar ações com
impacto político direcionadas a um só partido, ao mesmo tempo em que blinda
outro segmento do universo político.
O ponto de partida do processo
contra Gleisi foi uma delação premiada do ex-diretor da Petrobras, contraditada
por um depoimento do doleiro Alberto Youssef, vazado para a imprensa em outubro
de 2014.
Essas delações deram origem a um inquérito ilegal e secreto da Polícia
Federal aberto em março de 2015. Ao longo do processo, Yousseff e o também réu
delator Antonio Pieruccini foram mudando suas versões na medida em que eram
desmentidas pelos fatos e por outros depoentes.
Nas alegações finais, a defesa
aponta inúmeras contradições entre os fatos e a denúncia da PGR. Além de nunca
ter pedido ou recebido, dos delatores mentirosos, dinheiro para sua campanha ao
Senado em 2010, Gleisi Hoffmann não poderia jamais ter sido acusada de
corrupção passiva, pois não ocupava cargo público na época. Pela mesma razão, é
falso dizer que teria praticado "ato de ofício" para supostamente
beneficiar Paulo Roberto Costa, a quem sequer conhecia.
Resta acompanhar a postura dos
magistrados da alta corte que, aparentemente, vêm imprimindo uma inflexão
descompassada com a sanha persecutória da Lava Jato. O ano eleitoral vai se
afunilando e o STF parece mais uma vez se lançar a protagonismos políticos.
De Brasília, Brasil 247, em 19/06/2018, às 08h30


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