CUMPRA-SE
Inocêncio Nóbrega (*)
Ele recebeu da ministra-imperatriz
Carmem Lúcia, o cetro de Imperador da Corte, chamada de Supremo Tribunal
Federal. Vaidoso, Dias Toffoli apara bem a barba, mas não deixa de lembrar,
como assim deseja, a imagem do Imperador D. Pedro I, e seu nome, que se
completa: de Alcântara Francisco Antonio João Carlos Xavier de Paula Miguel
Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano de Bragança e Bourbon. Afinal,
também é Antonio. O que mais aprecia do monarca português foram “O Fico” 9/01 e
“Cumpra-se” 21/02 de 1822, respectivamente, para representarem o norte de suas
atitudes.
Decidido
ficar no Brasil ao decretar que as leis legais lusas só teriam validade, na
Colônia, após seu consentimento, isto é, o “cumpra-se”. Comentando essa
decisão, disse o embaixador argentino Garcia, de que S. Alteza não se dava
conta da ação de grupos armados espanhóis – os mentecaptos – que reivindicam a
volta da Inquisição, do poder absoluto e derrubada da Constituição liberal de
Fernando VII. Essas pretensões foram
destruídas pelas facções liberais, na Galícia, comandadas por Arguelles. Embora
nos sendo amplamente favorável, de características revolucionárias, até, o que
pretendeu o diplomata reparar foi a afronta à Carta Magna, naqueles idos jurada
em Portugal.
São
episódios que nos transmitem lições de vida e nos remetem a reflexões, em volta
dos quais se inserem a liminar, concedida pelo decano Marco Aurélio de Mello
sob a égide constitucional, beneficiando centenas de presos, condenados, em 2ª
instância, o que atingiria, consequentemente, o pres. Lula. O presidente do
STF, bem sabe de sua constitucionalidade, mas na prática inova com sua
resposta, ao torná-la sem efeito. Ancorado no estatuto da lawfare, de que é discípulo, para ele só terão consistência jurídica
se passarem pelo crivo de seu “cumpra-se”. Dessa maneira fica mais fácil
retornar-se às arbitrariedades, consagradas pela ditadura de 1964 e assumidas
pelo golpe de 2016. O que propugna é devolver o Brasil ao colonialismo
internacional. Quando entrevistados, 89% dos 3,5 mil internautas reprovaram a
decisão de Toffoli, Dom acreditando 81% dos mesmos que os militares o pressionaram,
no sentido de manter Lula preso.
Marco
Aurélio, no seu arrazoado de 19 páginas, nos dá a esperança de que de todo o
Supremo não morreu, quando escreve que nessa instituição “está a última
trincheira da cidadania”. Como que arrancando de nossos feridos sentimentos,
arremata: “...se é que continua sendo”!
Garantiu que, como ministro deve cumprir a Constituição”. Com confiança e ufanismo a ele entregamos a
coroa-símbolo da democracia brasileira.


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