Silêncio de Queiroz é suicida, diz Elio
Gaspari

O jornalista Elio Gaspari avalia, em artigo publicado nesta
quarta-feira, que o policial Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito
Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), comete suicídio ao não esclarecer as transações que
o colocam como suspeito de ser um espécie de arrecadador de recursos e pagador
de despesas paralelas da família Bolsonaro. "O silêncio de Queiroz pode
ser eficaz para quem olha para o tempo político. É suicídio porque esse tempo
nada tem a ver com o do Ministério Público. Os procuradores não têm pressa, têm
perguntas. Se ele movia tanto dinheiro porque transacionava com mercadorias,
deverá dizer de quem as comprava e para quem as vendia", diz ele.
"A esperança de que Queiroz passe pelo Ministério Público
administrando um silêncio seletivo é suicida. Peixes grandes como Marcelo
Odebrecht e Antônio Palocci tiveram a mesma ilusão. Queiroz é um lambari, sua
movimentação financeira não compraria um dos relógios com que as empreiteiras
mimavam maganos", afirma ainda o jornalista. "Contudo, sua
trajetória e seu silêncio são ilustrativos do que vem junto com a "cultura
da violência". Ele foi da PM para um gabinete na Assembleia Legislativa do
Rio, empregou parentes e tem a confiança da Primeira Família da República, cujo
chefe elegeu-se presidente com uma plataforma moralista e justiceira."
De Brasília
(DF), Brasil 247, em 26/12/2018, às 06h59

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