Marco Aurélio
Mello, do STF, determina soltura de presos em 2ª instância e pode beneficiar
Lula
Ex-presidente Lula cumpre pena desde abril (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio
Mello, determinou nesta quarta-feira (19) a soltura de todos os presos
condenados em segunda instância da Justiça que ainda têm recursos
pendentes de julgamento. A decisão pode atingir o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, condenado pelo caso do tríplex do Guarujá.
O advogado de Lula, Cristiano Zanin, disse que vai pedir ainda nesta
quarta (19) à Justiça Federal em Curitiba a soltura do petista. “É uma
decisão muito importante porque restabelece o que consta do texto
constitucional”, disse Zanin.
A decisão liminar, ou seja, provisória, foi tomada atendendo a um pedido
do PCdoB no último dia de funcionamento do STF antes do recesso, sem tempo
de levar o caso ao plenário para ser analisado pelos demais ministros.
O presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, agendou para o dia 10 de
abril de 2019 o julgamento das ações sobre prisão de réus condenados em segunda
instância.
A decisão de Marco Aurélio poderá ser revertida a partir desta
quinta-feira, quando começa oficialmente o recesso no tribunal. No regime de
plantão, cabe ao presidente do tribunal tomar decisões em caráter de urgência.
A decisão não é de cumprimento automático. Cabe a cada juiz responsável
pela execução penal libertar os presos sob sua tutela que estejam nessa
situação.
No despacho, Marco Aurélio afirma que o início do cumprimento da pena
deve depender do fim dos recursos da defesa.
“A Constituição não assegura um direito a não ser preso. A Constituição
assegura um direito a não ser arbitrariamente preso. E prisão após condenação –
especialmente quando confirmada por instância revisional – não se confunde nem
se equipara a prisão arbitrária”, escreve.
O ministro também esclarece que há exceções para presos enquadrados
no artigo 312 do Código
Penal. A decisão, no entanto, não precisa ser cumprida automaticamente: cada
juiz do país poderá deliberar sobre a liberação dos detidos.
“A suspensão de execução de pena cuja decisão a encerrá-la ainda não
haja transitado em julgado, bem assim a libertação daqueles que tenham sido
presos, ante exame de apelação, reservando-se o recolhimento aos casos
verdadeiramente enquadráveis no artigo 312 do mencionado diploma processual”,
diz a liminar.
Ações sobre 2ª Instância
Duas ações que discutem a prisão em segunda instância, sob relatoria do
ministro Marco Aurélio, tramitam no Supremo desde 2016. O relator as liberou
para análise do plenário em dezembro de 2017.
Houve um movimento de parte dos ministros e de advogados para que as
ações fossem julgadas no primeiro semestre deste ano, antes de o ex-presidente
Lula ser preso, em abril, mas a então presidente do STF, ministra Cármen Lúcia,
se recusou a marcar o julgamento.
Em vez disso, o plenário do Supremo julgou um pedido de habeas corpus
preventivo feito pela defesa de Lula com o objetivo de evitar sua prisão. Na
ocasião, por 6 votos a 5, os ministros negaram o habeas corpus.
Condenado a 12 anos e nove meses de prisão pelo TRF-4, tribunal da
segunda instância da Lava-Jato, Lula cumpre pena na Superintendência da Polícia
Federal (PF), em Curitiba (PR), desde abril.
Dodge deve
recorrer
Em nota, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse que foi
informada da decisão e afirmou que estuda medidas judiciais cabíveis.
“A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, recebeu há pouco a
notícia da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio, que
determinou a soltura de todos os presos detidos em razão de condenações
confirmadas em segunda instância. Embora ainda não tenha sido intimada da
decisão, a procuradora-geral já analisa, juntamente com a equipe, as medidas judiciais
cabíveis. A procuradora-geral destaca que o início do cumprimento da pena após
decisões de cortes recursais é compatível com a Constituição Federal, além de
garantir efetividade ao Direito Penal e contribuir para o fim da impunidade e
para assegurar a credibilidade das instituições, conforme já sustentou no STF”,
diz a nota.
Com Yahoo Notícias, em
19/12/2018





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