sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Política IV

Líder do PT pede quebra de sigilo e afastamento de Nardes

 
O deputado Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara, protocolou nesta sexta-feira (11) representações na Procuradoria-Geral da República e na corregedoria do Tribunal de Contas da União (TCU) cobrando o afastamento de Augusto Nardes da sua função de ministro do TCU.
Autor da farsa das "pedaladas fiscais" no TCU que embasou o impeachment da presidente Dilma Rousseff, Nardes é suspeito de ter atuado para evitar que o grupo RBS – maior conglomerado de mídia do Rio Grande do Sul e detentor da afiliada da Rede Globo no estado – pagasse multa junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) de quase seiscentos milhões de reais.
Pimenta também pediu ao TCU a "instauração de sindicância ou de processo administrativo disciplinar" contra Nardes e, à PGR, a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do ministro, que foi deputado estadual e federal pelo Rio Grande do Sul e teve o envolvimento na máfia do CARF descoberto pela Operação Zelotes em 2015. Augusto Nardes foi recebido pelo presidente Jair Bolsonaro na última segunda-feira (7).
O pedido de suspensão das funções do ministro é justificado e reforçado pela delação premiada de Orlando Diniz, o ex-presidente da Federação do Comércio do Rio de janeiro (Fecomércio/RJ), que acusou Nardes de receber uma "mesada" de R$ 100 mil entre 2015 e 2016. Em troca da mesada, "sempre em dinheiro vivo", o ministro atrasaria uma investigação no TCU sobre o delator.
A petição assinada pelo líder petista relembra em detalhes o caso pelo qual Nardes é investigado. "De acordo com denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República, o Representado [Nardes] teria feito uma 'parceria' com outros suspeitos a fim de evitar que a RBS pagasse uma multa de mais de meio bilhão de reais à Receita Federal", diz o texto.
"Com base em e-mails obtidos pelos procuradores, suspeita-se que o Representado tenha recebido mais de um milhão de reais da SGR, empresa que fazia a suposta distribuição de propinas", continua a representação.
"É datada de 2001 a multa de R$ 582 milhões imposta à RBS pela Receita Federal. Em 2011, dez anos depois, o grupo de comunicação venceu a disputa no Carf e teria pago R$11,9 milhões à SGR, que, por sua vez, repassou R$ 2,5 milhões à N&P Consultoria, que passou a ser controlada pelo sobrinho do Representado, após este se desligar da empresa alguns anos antes e, por fim, teria repassado R$ 1,6 milhões ao Representado", configurando um tipo de procedimento que é "um modus operandi bastante utilizado em casos similares", segundo os investigadores da Zelotes.
Na representação, Pimenta também lembra que a Receita Federal notificou Nardes em dezembro de 2018 "para determinar que pague os impostos e a multa por supostamente receber, sem recolhimento de tributos, R$ 2,5 milhões, dinheiro que, de acordo com a investigação, seria referente à propina de esquema de corrupção no Carf". De acordo com o petista, "há mais do que indícios de que de fato houve o recebimento indevido de tais valores".
A Operação Zelotes revelou um esquema de corrupção junto ao órgão que pode ter dado um prejuízo de pelo menos R$ 19 bilhões. Entre as empresas investigadas por suposta participação no esquema figuram as montadoras Ford e Mitsubishi, os bancos Bradesco, Santander e Safra, a empreiteira Camargo Corrêa, o grupo siderúrgico Gerdau, entre outras.
Posteriormente, como tem sido frequente em alguns setores do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal, a Zelotes tentou criminalizar o ex-presidente Lula, acusando-o, sem provas, de ter negociado a aprovação de uma medida provisória que foi aprovada por unanimidade no Senado e na Câmara e que, além disso, foi relatada em ambas as casas legislativas por parlamentares da oposição ao governo.
De Brasília (DF), Brasil 247, com informações do PT na Câmara, em 11.01.2019, às 18h50

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