Frente Ampla
para derrotar o arbítrio. É pouco?

Flávio Dino (PC do B) | Luciano Huck (Foto: Reprodução/Redes sociais)
O jornalista Ricardo
Cappelli, um dos principais articuladores da frente ampla liderada pelo
governador maranhense Flávio Dino (PCdoB), minimiza as questões econômicas e
maximiza as políticas. “Frente Ampla para derrotar o arbítrio. É pouco?”,
questiona.
“Se a economia não vai dar um salto, é pouco
provável também que afunde. Se o emprego precarizado não é o melhor dos mundos,
muito pior é o desemprego”, teoriza Cappelli, o “Steve Bannon” das esquerdas
brasileiras.
Leia a íntegra do artigo:
Frente Ampla para derrotar o arbítrio. É pouco?
Por Ricardo Cappelli (*)
Como será um governo do arbítrio fortalecido por
alguma melhora na economia? Qual será a consequência para a democracia das duas
indicações que Bolsonaro fará ao STF? Haverá imprensa livre? Atividade
parlamentar “normal”? Garantia de direitos fundamentais?
Como será um Bolsonaro aclamado por uma reeleição?
O Capitão estava brincando quando insinuou um terceiro mandato? Moro na vice
será o sucessor de um projeto de 16 anos? 20 anos? O que restará do Brasil?
Contrariando algumas previsões, as pesquisas têm indicado
uma pequena melhora na aprovação do presidente.
Lula já saiu da cadeia, mas apesar de sua liderança
inquestionável, o fato parece não ter influenciado o humor da população. As
ruas continuam frias e vazias.
A menor taxa de juros da história e a injeção de
recursos promovida pela liberação do FGTS e pelo décimo terceiro do Bolsa
Família podem explicar parte da melhora do Capitão. A necessidade política
costuma transformar liberais fanáticos em keynesianos envergonhados.
O mais provável são taxas de crescimento tímidas
pelos próximos anos. A economia global acompanha sobressaltada a briga entre a
China e os EUA. Com nossa massa salarial achatada e os investimentos públicos
asfixiados, o motor do mercado interno continuará engasgando.
Se a economia não vai dar um salto, é pouco
provável também que afunde. Se o emprego precarizado não é o melhor dos mundos,
muito pior é o desemprego.
A gravidade da
ameaça autoritária nos obriga a colocar os dois pés no chão. O país quebrou nas
mãos da esquerda com duas quedas de PIB históricas. O desemprego explodiu com
Dilma.
Após treze anos
“vermelhos”, a crise econômica e uma brutal ofensiva conservadora empurraram o
Brasil na direção de uma nova saída liberal. O liberalismo avançou na
sociedade, sendo amplamente majoritário no Congresso Nacional e no STF.
Política se faz a
partir da análise objetiva da realidade concreta. É forjada pela necessidade,
pelas circunstâncias. É diálogo, construção com os diferentes e mediação. A boa
posição não é a minha ou a do outro, mas a que torna possível alcançar o
objetivo estratégico.
Associar de forma
fantasiosa este processo à capitulação é sectarismo oportunista, um desserviço
ao povo brasileiro.
O Brasil está sob
ameaça de um grave retrocesso civilizatório. Cabe a oposição fazer de tudo para
derrotar o inimigo principal. Qual seria o caminho? Três fatos recentes são
elucidativos.
A tentativa
criminosa de transferir Lula para um presídio comum parou Brasília, gerando
protestos de quase todas as forças políticas. Quando “Alvim Goebbels” levantou
a suástica, novamente todos deram as mãos para derrubá-lo. O mesmo se repetiu
quando o arbítrio ameaçou o jornalista Glenn Greenwald.
A questão
democrática é a única capaz de aglutinar os mais variados setores numa Frente
contra Bolsonaro.
Quando Roosevelt,
Stalin e Churchill selaram uma aliança, não consta que ficaram procurando
diferenças no passado. Também não havia na pauta um programa econômico comum
para a humanidade. Um único objetivo fez estes personagens históricos apertarem
as mãos: banir do mundo a ameaça nazista. Foi pouco?
(*) - Ricardo
Cappelli é jornalista e secretário de estado do Maranhão, cujo governo
representa em Brasília. Foi presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes)
Por Esmael Morais - Blog do Esmael, publicado em 24.01.2020

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