Bolsonaro
ironiza levantamento sobre ataques contra jornalistas
O presidente Jair Bolsonaro fez publicações em suas redes sociais neste
domingo (19) ironizando o levantamento da Fenaj (Federação Nacional dos
Jornalistas) que mostrou que ele foi o autor de 58% dos ataques contra veículos
de comunicação e jornalistas no Brasil em 2019.
"Pegaram o QI médio da galera da imprensa. Deu 58", escreveu
ele para um apoiador que comentou em sua postagem. O presidente publicou uma
imagem com o título da reportagem feita pelo UOL sobre o levantamento, acompanhada
de risadas.
"- KKKKKKKKKKKKKKK. - HAHAHAHAHAHAHA. - KKKKKKKKKKKKKKK.",
escreveu Bolsonaro no Facebook, mesma rede social em que respondeu
diretamente ao seguidor.
Na pesquisa, divulgada na semana passada, a entidade contabilizou 208
ataques contra veículos de comunicação e jornalistas no ano passado.
Destes, 121 foram praticados pelo presidente da República.
A maioria dos ataques de Bolsonaro ocorreu em divulgações oficiais da
Presidência da República, de acordo com a federação. Os registros foram
encontrados em discursos e entrevistas -transcritos no site do Palácio do
Planalto- e no Twitter oficial do presidente.
O levantamento registrou que, no caso de Bolsonaro, "foram 114
ofensivas genéricas e generalizadas, além de sete casos de agressões diretas a
jornalistas".
Na última semana, o presidente atacou dois repórteres da Folha de S. Paulo
que o questionaram sobre reportagens publicadas pelo jornal a respeito do chefe
da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), Fabio Wajngarten.
As notícias mostraram que o auxiliar do Planalto recebe, por meio
da empresa da qual é sócio, dinheiro de agências e emissoras contratadas pelo
governo federal.
Na manhã de quinta-feira (16), o presidente reagiu negativamente a uma
pergunta sobre o tema. "Fora, Folha de S.Paulo, você não
tem moral para perguntar, não", afirmou, pedindo que outros repórteres
fizessem perguntas. "Cala a boca", disse à reportagem.
No início da noite, Bolsonaro respondeu mais uma vez com
agressividade. "Você está falando da tua mãe?", disse.
A reportagem havia perguntado: "O senhor sabia dos contratos
do Fabio, presidente?".
"Está falando da tua mãe? Você está falando da tua mãe?",
afirmou Bolsonaro. "Não, estou falando do secretário de Comunicação, do
Fabio Wajngarten", respondeu a reportagem.
Dias antes, em 6 de janeiro, o presidente disse que os jornalistas
brasileiros são uma "raça em extinção", falou que cada vez menos
pessoas confiam na imprensa e que a leitura diária de jornais envenena e
desinforma. Na ocasião, ele também acusou a Folha de S. Paulo de escrever
mentiras.
Em outubro, Bolsonaro disse que o jornal desceu "às profundezas do
esgoto" após publicação de reportagem sobre possível uso de caixa dois na
campanha dele à Presidência. No mesmo mês, determinou o cancelamento de assinaturas
da Folha de S. Paulo no governo.
De Brasília (DF),
por Folhapress, publicado em 20.01.2020, atualizado em 21.01.2020


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