sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Política

Insatisfeito com Bolsonaro, Moro pode deixar governo se perder Segurança Pública
Foto: NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images
Ministro Sérgio Moro parece abalado com recriação da Pasta da Segurança 
(Foto: Nelson Almeida/AFP/Getty Images)
A relação entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro parece estar abalada com a possibilidade da recriação do Ministério da Segurança, pasta que acabaria esvaziando as funções do ex-juiz no governo. Por isso, de acordo com a jornalista Camila Mattoso, no blog Painel da Folha de S.Paulo, Moro já teria dito a pessoas próximas que está chateado com o presidente e que, se a mudança se concretizar, ele deixará o governo.
Um dos cotados para assumir o Ministério da Segurança Pública caso a pasta seja recriado é o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF). Ainda de acordo com a jornalista, Fraga nomearia Anderson Torres para ser diretor-geral da pasta, nome que foi vetado por Moro quando, no passado, foi indicado para chefiar a Polícia Federal.
Ontem (23), Fraga afirmou, em entrevista à Folha de S.Paulo, que provavelmente aceitaria assumir a nova função caso fosse convidado por Bolsonaro e disse que uma separação das pastas não representaria um ataque ou um desprestígio ao ministro da Justiça, uma vez que, na sua visão, a pasta comandada por Moro possui atribuições “bastante amplas”.
Fraga, que é coronel reformado da Polícia Militar do Distrito Federal, afirmou que Moro é um “ícone no nosso país”, mas também defendeu sua própria nomeação para o ministério.
"Eu acho Sergio Moro um excelente jurista. Um ícone no nosso país no combate à corrupção. Agora, defendo que a atividade de segurança pública precisa de alguém que seja técnico da área. Ou seja, alguém que militou na área", disse.
O próprio presidente sugeriu a possibilidade da vota do ministério e admitiu que Moro provavelmente seria contra.
"Não seria um desprestígio. As atividades do Ministério da Justiça já são bastante amplas. Eu defendo a separação não importa quem seja o ministro. Tanto é que já defendia quando o ministro da Justiça ainda era Márcio Thomaz Bastos (2003-2007), na época do PT. Não é nada contra o Moro", afirmou Bolsonaro.
Apesar de nos bastidores crescer os rumores sobre a recriação da pasta, Fraga garante que, embora seja amiga do presidente e tenha se reunido com ele no último final de semana, não trata do assunto com Bolsonaro há meses. 
O ex-deputado federal também reiterou que não houve convite algum para assumir um cargo no governo. "Todo mundo sabe que eu sou Bolsonaro e faria o que ele mandar eu fazer. Evidentemente, se o convite fosse feito, pensaria com muito carinho. É provável que eu aceitasse, porque sempre foi a minha área. Se essa pasta fosse separada, a sociedade ganharia mais", avaliou Fraga.
Fraga também se queixou por estar recebendo ataques de apoiadores de Moro nas redes sociais. Na visão do ex-deputado federal, a queda nas taxas de homicídios, uma das principais bandeiras do atual ministro da Justiça, foi uma tendência iniciada no governo de Michel Temer (MDB) e que vem crescendo.
"Eu acho uma histeria dos seguidores do Moro em me atacar. O que eu tenho a ver com isso? Nada", afirmou. "Dizer que os números foram reduzidos por conta do Sergio Moro é uma tremenda injustiça com os governos estaduais e com a policias estaduais", opinou.
Desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2019, o ex-juiz já perdeu o antigo Coaf, agora UIF, subordinado ao Banco Central.
Na gestão de Temer, a Polícia Federal respondia ao Ministério da Segurança. Diante disso, a possibilidade de Moro perder o comando da PF não é descartada por especialistas.
De Yahoo Notícias, com informações da Folhapress, publicado em 24.01.2020

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