Insatisfeito
com Bolsonaro, Moro pode deixar governo se perder Segurança Pública
Ministro Sérgio Moro parece abalado com recriação da Pasta da Segurança
(Foto: Nelson Almeida/AFP/Getty Images)
A relação entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro parece estar abalada com a
possibilidade da recriação do Ministério da Segurança, pasta que acabaria
esvaziando as funções do ex-juiz no governo. Por isso, de acordo com a
jornalista Camila Mattoso, no blog Painel da Folha de S.Paulo, Moro já
teria dito a pessoas próximas que está chateado com o presidente e que, se a
mudança se concretizar, ele deixará o governo.
Um dos cotados para assumir o Ministério da Segurança Pública caso a
pasta seja recriado é o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF). Ainda de
acordo com a jornalista, Fraga nomearia Anderson Torres para ser diretor-geral
da pasta, nome que foi vetado por Moro quando, no passado, foi indicado para chefiar
a Polícia Federal.
Ontem (23), Fraga afirmou, em entrevista à Folha de S.Paulo, que
provavelmente aceitaria assumir a nova função caso fosse convidado por
Bolsonaro e disse que uma separação das pastas não representaria um ataque ou
um desprestígio ao ministro da Justiça, uma vez que, na sua visão, a pasta
comandada por Moro possui atribuições “bastante amplas”.
Fraga, que é coronel reformado da Polícia Militar do Distrito Federal,
afirmou que Moro é um “ícone no nosso país”, mas também defendeu sua própria
nomeação para o ministério.
"Eu acho Sergio Moro um excelente jurista. Um ícone no nosso país
no combate à corrupção. Agora, defendo que a atividade de segurança pública
precisa de alguém que seja técnico da área. Ou seja, alguém que militou na
área", disse.
O próprio presidente sugeriu a possibilidade da vota do ministério e
admitiu que Moro provavelmente seria contra.
"Não seria um desprestígio. As atividades do Ministério da Justiça
já são bastante amplas. Eu defendo a separação não importa quem seja o
ministro. Tanto é que já defendia quando o ministro da Justiça ainda era Márcio
Thomaz Bastos (2003-2007), na época do PT. Não é nada contra o Moro",
afirmou Bolsonaro.
Apesar de nos bastidores crescer os rumores sobre a recriação da pasta,
Fraga garante que, embora seja amiga do presidente e tenha se reunido com ele
no último final de semana, não trata do assunto com Bolsonaro há meses.
O
ex-deputado federal também reiterou que não houve convite algum para assumir um
cargo no governo. "Todo mundo sabe que eu sou Bolsonaro e faria o que ele mandar eu
fazer. Evidentemente, se o convite fosse feito, pensaria com muito carinho. É
provável que eu aceitasse, porque sempre foi a minha área. Se essa pasta fosse
separada, a sociedade ganharia mais", avaliou Fraga.
Fraga também se queixou por estar recebendo ataques de apoiadores de
Moro nas redes sociais. Na visão do ex-deputado federal, a queda nas taxas de
homicídios, uma das principais bandeiras do atual ministro da Justiça, foi uma
tendência iniciada no governo de Michel Temer (MDB) e que vem crescendo.
"Eu acho uma histeria dos seguidores do Moro em me atacar. O que eu
tenho a ver com isso? Nada", afirmou. "Dizer que os números foram
reduzidos por conta do Sergio Moro é uma tremenda injustiça com os governos estaduais
e com a policias estaduais", opinou.
Desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2019, o ex-juiz já perdeu o
antigo Coaf, agora UIF, subordinado ao Banco Central.
Na gestão de Temer, a Polícia Federal respondia ao Ministério da
Segurança. Diante disso, a possibilidade de Moro perder o comando da PF não é
descartada por especialistas.
De Yahoo Notícias, com
informações da Folhapress, publicado em 24.01.2020



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