Cármen Lúcia
cobra respeito às decisões do Judiciário
Brasília - O
presidente Michel Temer e a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen
Lúcia, participam
da sessão especial de abertura do ano Judiciário 2018
(Foto: Marcos Correa/PR)
A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
ministra Cármen Lúcia, abriu nesta quinta-feira (1) o ano Judiciário 2018 com
discurso em defesa da Constituição e das leis do país, e cobrando respeito às
decisões do Judiciário.
“Pode-se ser favorável ou desfavorável à decisão
judicial pela qual se aplica o direito, pode-se buscar reformar a decisão
judicial pelos meios legais e nos juízos competentes. O que é inadmissível e
inaceitável é desacatar a Justiça, agravá-la ou agredi-la. Justiça individual,
fora do direito, não é justiça senão vingança ou ato de força pessoal”,
ressaltou.
A cerimônia, realizada no plenário do STF, marcou o
retorno dos ministros às atividades, e contou com a presença do presidente da
República, Michel Temer, e dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia e do Senado,
Eunício Oliveira.
“A lei é a divisória entre a moral pública e a
barbárie”, disse Cármen Lúcia, lembrando que o respeito à Constituição e à lei,
para o outro, é a garantia do direito para cada um dos cidadãos. “A nós servidores
públicos, o acatamento irrestrito à lei impõe-se como um dever acima de
qualquer outro. Constitui mau exemplo o descumprimento da lei, e o mau exemplo
contamina e compromete”, afirmou.
Ainda no discurso, Cármen Lúcia ressaltou que o
Judiciário não aplica a Justiça ideal e sim, a humana “posta à disposição para
garantir a paz”. “Paz que é um equilíbrio no movimento histórico e contínuo
entre os homens e as instituições”, disse.
Independência do Judiciário
Durante a solenidade, a procuradora-geral da
República, Raquel Dodge, destacou a independência das instituições e destacou o
papel do Ministério Público e das outras instituições do sistema de Justiça na
defesa e restauração dos direitos e na garantia de correção de atos que se
desviam da lei.
“As decisões judiciais devem ser cumpridas, os
direitos restaurados, os danos reparados, os problemas resolvidos e os culpados
precisam pagar por seus erros. Só assim, afasta-se a sensação de impunidade e
se restabelece a confiança nas instituições”, declarou.
Dodge afirmou ainda que o momento atual do país não
é de conforto, mas que o Ministério Público continua trabalhando para garantir
a resolutividade das decisões do poder Judiciário e o acesso igualitário à
justiça e aos serviços públicos essenciais.
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB), Cláudio Lamachia, também enfatizou a independência do Poder
Judiciário e reiterou que o país passa por um “ciclo de desarranjos
institucionais, perplexidades, dilemas morais e existenciais, que tornam as
nações mais maduras, conscientes e fortalecidas”.
“A independência do Judiciário é o pilar do Estado
Democrático de Direito, marco civilizatório sem o qual há de predominar a
barbárie da tirania e dos extremismos. Em meio a crises como a atual, esse fundamento
é posto à prova, desafiado constantemente, seja pela retórica irresponsável de
grupos políticos, seja pelo desespero dos que não tem o hábito de prestar
contar dos seus atos à sociedade”, disse Lamachia.
A partir das 14 horas, os ministros do STF se
reunirão para o primeiro julgamento em plenário do ano. O processo trata da
validade da suspensão da resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), que proibiu a fabricação e venda de cigarros com sabor artificial. A
norma foi suspensa em 2013 por meio de uma liminar da ministra Rosa Weber.
De Brasília, Karine Melo e
Débora Brito– Repórteres da Agência Brasil, 01/02/2018 10h53


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