Aos
recalcados, o sucesso
Por Emídio de Souza(*)
As palavras têm peso e poder e
por isso é preciso atenção ao usá-las. Na última vez que assinei artigo neste
espaço, perguntei a quem interessava o fracasso da Copa e falei sobre as
mentiras que estavam sendo disseminadas sobre o evento, seus custos e a
participação de iniciativa privada e pública nos investimentos. Findo o mundial
e o sucesso acachapante da organização, revelado por pesquisa Datafolha que
analisou diversas áreas, não hesito em dizer que os recalcados não apenas
morderam a língua, como tiveram de mudar o tom e o discurso.
Os números da pesquisa e também
diversos outros indicadores provaram o que o governo vinha martelando desde que
o presidente Lula, em 2007, conquistou a Copa para o Brasil: sim, estávamos
preparados para um evento de tamanha magnitude. Os dados foram tão positivos
que os "cavaleiros do apocalipse" que chegaram a disseminar os quase
pueris bordões "imagina na Copa" e "não vai ter Copa", não
resistiram: foram ao estádio, torceram e depois, claro tentaram desconstruir a
participação do governo na organização do mundial.
A Copa foi avaliada como ótima e
boa por mais de 80% dos entrevistados, houve injeção de nada menos que R$ 30
bilhões na economia, foram gerados mais de 1 milhão de empregos, 60% dos
investimentos foram em obras estruturais de transporte, e os aparatos
fornecidos para a segurança pública, testados e aprovados, já estão à
disposição para uso contínuo pelos estados-sede.
É claro que a o brasileiro e sua
histórica hospitalidade e simpatia também foram elementos inquestionáveis para
o sucesso da Copa do Mundo no Brasil, mas querer reduzir a fundamental e
estruturante participação do Governo Federal na bela organização do mundial é
uma tentativa de subestimar a inteligência deste mesmo povo.
A lógica apequenada e oportunista
de "vamos desdenhar e tentar destruir e, se der certo, dizemos que fomos
nós" tem se tornado cada vez mais freqüente por um grupo de pessoas (e
políticos). Essa apropriação daquilo que dá certo por quem antes disseminou o
fracasso e a desgraça sintetiza a falta de propostas e formulações.
Se por um lado, nos permite
regozijo no sentido de vermos que de tão boas, nossas iniciativas são copiadas
e prometem até ser "ampliadas" - caso de discurso recente de um
postulante à presidência, que inclusive colocou em seu programa de governo
dezenas de projetos e planos em andamento do Governo Federal, incluindo o
"Mais Médicos", formulado por Alexandre Padilha – por outro, nos faz
exigir: ao menos admitam que não têm nada de criativo ou diferente para propor.
Admitam seu recalque e o sucesso de tudo que funciona.
(*) Emídio de Souza é Prefeito de
Osasco, na Grande São Paulo
Publicado em WWW.brasil24/7, em 19/07/2014, às 07h00

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