Cunha diz que processo
que pede sua cassação é político
Para o deputado afastado, o processo contra ele tem motivação
política
(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
O deputado Eduardo Cunha
(PMDB-RJ) começou sua defesa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da
Câmara afirmando que o processo de cassação contra ele teve motivação política.
“Foi um processo político que começou com a minha eleição em primeiro turno, em
que derrotei o candidato da presidenta afastada [Dilma Rousseff] e em que
derrotei o candidato da oposição”, disse Cunha.
Na eleição, em fevereiro do ano
passado, com 267 votos, Cunha derrotou o candidato governista, Arlindo
Chinaglia (PT-SP), que teve 136 votos. O candidato do PSB, Júlio Delgado (MG),
ficou em terceiro lugar, com 100 votos, e o do PSOL, Chico Alencar (RJ), em quarto,
com oito votos.
Segundo Cunha, o processo que
resultou no pedido de cassação do seu mandato, por ter mentido sobre a
existência de contas secretas em seu nome no exterior, teve início após a sua
eleição para a presidência da Câmara. Para o parlamentar, a oposição cresceu
com pautas bancadas por ele em plenário, como a da terceirização, da redução da
maioridade penal e as relacionadas ao Estatuto da Família.
O deputado, que renunciou à
presidência da Câmara na semana passada, também criticou a decisão do relator
de seu recurso na CCJ, Ronaldo Fonseca (PROS-DF), de negar 15 dos 16 pedidos
formulados por ele.
Ao iniciar a sua fala, Cunha
destacou sua familiaridade com o Regimento Interno da Casa e disse que, se
estivesse na posição de Fonseca, daria provimento a todos os pedidos do
recurso. “Todos sabem, até os meus mais ferrenhos adversários nesta Casa, da
minha familiaridade com o Regimento desta Casa. Nenhum desses pontos seria por
mim negado monocraticamente em sede de recurso, se me fosse pedido por outro
deputado”, afirmou.
Antes de Cunha, o advogado de
defesa, Marcelo Nobre, falou durante quase uma hora. Usando elementos técnicos,
Nobre retomou o argumento de que a conta no exterior não era conta pessoal de
Cunha, e sim um truste. “Não se cria materialidade com prova testemunhal. Ou
tem ou não tem. E não há [prova de titularidade de conta] e, por isso, não se
declarou a conta no Imposto de Renda”, afirmou.
“Meu cliente não mentiu [na CPI,
ao dizer que não possuía contas no próprio nome no exterior] e está sendo
julgado por algo que ele não tem”, acrescentou.
A reunião da CCJ prossegue com
Eduardo Cunha se defendendo.
De Brasília, Luciano
Nascimento – Repórter da Agência Brasil, 12/07/2016, às 18h40
Rua Viriato de Medeiros, Mercado Central de Sobral


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