Ciro compara
impeachment de Dilma com golpe de 64
Em entrevista a Revista Poder
deste mês, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) virtual candidato a presidente da
República em 2018, voltou a criticar o processo do impeachment da presidente
afastada Dilma Rousseff (PT). Para ele, não faltam razões para não gostar
do governo Dilma, mas o impedimento se dá quando é cometido, pessoalmente e
dolosamente, crime de responsabilidade. Governo ruim não é crime de
responsabilidade. “Não cometeu nem as pedaladas, porque isso se apura no
exercício e ela encerrou 2015 com todas as contas pagas”.
Para ele, ele é um mero
pretexto, como em 1964. “Na ocasião, o Auro de Moura Andrade, um Renan
Calheiros da época, presidente do Senado, declarou vaga a Presidência da
República alegando que Jango tinha fugido do país. Sobre essa base mentirosa se
ergueu um castelo de cartas: Ranieri Mazzilli, o Eduardo Cunha de então, era o
último da linha sucessória, convocou eleição indireta – já tinha se passado
dois anos da eleição – e Castelo Branco foi eleito no Congresso Nacional – com
voto de JK, que acreditou na mentira de que seria apenas para terminar o
mandato. Hoje ninguém duvida que foi golpe. Naquela época o STF também declarou
a legalidade de tudo aquilo, exatamente como estão fazendo hoje”, frisou.
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(Delrio, guaraná de guaraná!)
Para Ciro, Dilma é honrada e a
fiadora da democracia, mas não tem treinamento para a política e se cerca mal.
“Nomeou o (Joaquim) Levy, que não é um quadro brilhante – trabalhei com Pérsio
Arida, Gustavo Franco, Edmar Bacha… sei quem é brilhante mesmo sendo
conservador – e está na ancestralidade da falência do Rio de Janeiro. Caso o
golpe se consuma, ela crescerá muito como referência de firmeza. Aliás, é
impressionante que a sociedade brasileira aceite o nível de mesquinharia de
proibi-la, ainda presidente, de andar nos aviões da FAB, enquanto o Eduardo
Cunha andava pra cima e pra baixo, um marginal afastado pelo STF. E cortar
comida do Palácio, como se a Dilma estivesse comendo 60 mil por mês no maior
luxo. Há um destacamento de 50 homens do Exército morando lá! Nunca quis viver
pra assistir a isso. É justa a queixa da corrupção, do desmantelo do governo,
mas não é possível que não saibam separar uma coisa da outra”, criticou.
Quanto a Lula, Ciro afirmou que
ele é o responsável por entregar parte da administração aos “ladravazes da
República”. Disse que Temer já era essa figura pequena e moralmente
indefensável quando Lula o colocou na linha sucessória. Ciro afirma que Lula
havia dito a ele que não daria Furnas a Eduardo Cunha “de jeito nenhum” e no
dia seguinte o nomeou. Segundo o ex-ministro esse foi o motivo de seu
afastamento do lulismo.
Ele observa que Dilma também deu
a Cunha a vice-presidência da Caixa Econômica Federal, onde, segundo Ciro, o
ex-presidente da Câmara dos Deputados levantou uma propina de R$ 52 milhões.
“Nada justifica, porém, a violência que o Lula tem sofrido. Foi ilegal a
condução coercitiva: só pode levar debaixo de vara, como se diz no Ceará, quem
se negou a obedecer à intimação”, pontuou.
Na entrevista a Revista Poder,
Ciro também fala sobre o juiz Sérgio Moro. Para ele, o juiz da Lava-Jato tem um
papel importante, mas pode estar sendo manipulado por ser muito jovem e a
política ser mais complexa do que ele consiga perceber. “Começou a aceitar o
incenso, essa coisa de ir para o estrangeiro de gravatinha-borboleta… Juiz bom
é o severo, aquele que não vai nem ao bar para não dizerem qualquer coisa.
Certas ilegalidades cometidas na Lava Jato abrem brecha para a anulação de
muita coisa lá na frente, como aconteceu na Satiagraha. O delegado herói de
então (Protógenes Queiroz) está exilado, com ordem de prisão, e os acusados
estão livres porque as nulidades destruíram as evidências reais. Nos Estados
Unidos, divulgar gravação de um presidente da República dá até pena de morte.
Moro sabe que violou a lei e tinha obrigação de destruir as gravações”, avalia.
Com relação ao governo Temer,
Ciro Gomes diz que, salvo Henrique Meirelles, de quem diz ser amigo, mesmo
discordando do mesmo, é um misto de incompetência com bandidagem. “O povo
tem razão de estar zangado, porém o desastre de um governo ilegítimo se projeta
para 20 anos, enquanto um mau governo passaria em dois. E é a maior frouxidão
fiscal que eu já vi”, critica.
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(Delrio, sabor de uva gelada!)
Solidão
Ciro Gomes observa que defender o
mandato da Dilma e ao mesmo tempo criticar o desastre que foi seu governo tem
o deixado na maior solidão. Assevera quer o desemprego saltou de 6%
para 11%, a dívida pública galopou, os juros mais altos do planeta.
Observa que a próxima crise é do
setor financeiro: “ninguém paga ninguém, é a maior inadimplência da história.
Sabe quem mica com a quebra da Oi? O Estado. Os bancos privados empurraram
todos os créditos para os públicos, como de praxe. Este país está sendo
assaltado há muito tempo, e o sintoma disso não é um tríplex cafona no Guarujá.
Agora vem essa emenda constitucional para congelar a despesa primária, deixando
os juros, que é a maior despesa corrente, por fora. Um governo ilegítimo,
precário, aproveitando a perplexidade do momento, pode congelar o gasto
primário por 20 anos! Se fizerem, é o caso de ir lá quebrar tudo, porque isso é
a revogação da Constituição de 1988”.
Ele falou ainda sobre sua vida
partidária, que qualificou de é um desastre. Diz que sua única defesa é que
fica na dele, e os partidos é que mudam radicalmente. Diz que José Serra já foi
de quatro partidos; Marina Silva, mudou três em três anos, tudo por projeto
pessoal. “Mas só a mim perguntam… Vim para o PDT para mobilizar as pessoas e
defender a democracia. Vou pensar mil vezes antes de ser candidato”.
Ele acusa José Serra de ser
obcecado pelo poder, traidor da própria memória. “Ninguém quer bem a ele. Agora
resolveu, escorado no interesse estrangeiro e no golpe, forçar a mão para ser o
FHC do Itamar. Mas está muito longe de calçar o sapato do charmosíssimo
Fernando Henrique, e o Temer também não é Itamar – que era decente, um grande
estadista”, frisa.
Sobre Marina Silva, disse que ela
é uma pessoa séria, mas não compreende o Brasil. “Vocês acham que eu não
gostaria de não ser polêmico? Adoraria ser homenageado pelo Greenpeace, mas
tenho de defender o país. Sou a favor da BR-163, que liga Santarém a Cuiabá e
vai tornar a produção de soja do Centro-Oeste a mais competitiva do planeta. A
Marina era radicalmente contra, até que foi lá comigo – somos amigos – e voltou
com a cabeça virada. A “indiarada” toda pedindo a BR! É muito bom ter ar-condicionado
central, Hospital Israelita Albert Einstein, e querer para os outros, em
abstrato, o atraso”.
Na entrevista ele foi indagado
sobre seu temperamento explosivo, que tem lhe causado alguns dissabores, mas
disse que não vai mudar o seu jeito. “Fico p… da vida com esse fru-fru
aristocrático. Já viu o Cunha sendo chamado de ladrão? Ele olha para o outro
lado. Essa é a elegância que a elite brasileira gosta. Tenho longa biografia e
ocupei muitos cargos, mas na pauta de vocês nunca vai aparecer a pergunta ‘como
o senhor explica tanto dinheiro no seu patrimônio’– e olha que é dever de vocês
me fustigar. Por isso olho para trás e digo ‘no regrets!'”.
Com Revista PODER, Copyright by Ceará
Agora, 18 de julho de 2016
(Sabores inigualáveis - Delrio)




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