Justiça
Federal encaminha ao STF investigação de dinheiro atribuído a Geddel

O ex-ministro
Geddel Vieira Lima é ouvido pelo juiz Vallisney Oliveira durante
audiênciade custódia (Foto: Reprodução/Justiça Federal)
O juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª
Vara de Brasília, decidiu hoje (13) remeter ao Supremo Tribunal Federal (STF) a
investigação sobre o montante de R$ 51 milhões apreendidos pela
Polícia Federal (PF) em um apartamento em Salvador, atribuído ao ex-ministro
Geddel Vieira Lima. Em sua decisão, o magistrado argumentou que há sinais de provas
do envolvimento do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel, e que
podem levar ao indiciamento do parlamentar pelo crime de lavagem de dinheiro.
De acordo com o magistrado, embora não existam
indícios de participação do deputado “nos fatos anteriores à apreensão dos
valores, até agora somente vinculados às pessoas de Geddel Vieira e Gustavo
Pedreira, o certo é que a partir de agora, diante da existência de sinais de
provas capazes de levá-lo a eventual indiciamento no delito de lavagem de dinheiro,
delito este que até o que se sabe possui relação com o anterior (fraudes na
Caixa Econômica Federal – Operação “Cui Bono)”,
Até então o caso era analisado pela Justiça Federal
em Brasília, porém o juiz Vallisney de Souza disse que a ação não poderia
prosseguir, “sem antes haver uma cognição pelo Supremo Tribunal Federal sobre
todos as questões referentes aos procedimentos diretos e circunstanciais a esta
apuração.”
O magistrado pede que o STF decida sobre a
competência da Justiça Federal para apurar o envolvimento de Lúcio Vieira Lima
e se ela deve se dar de forma conjunta ou, “do contrário, se deve haver
desmembramento para a investigação da autoridade com foro no STF por
prerrogativa de função em apartado dos demais possíveis envolvidos”.
Geddel foi preso preventivamente em 3 de julho na
Operação Cui Bono, por suspeita de que estaria agindo para atrapalhar as
investigações. No dia 13 do mesmo mês, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª
Região concedeu ao ex-ministro o direito de cumprir prisão domiciliar em sua
residência, em Salvador.
No dia 8, o ex-ministro foi preso novamente em
Salvador e levado para o Complexo Penitenciário da Papuda, na capital federal,
três dias após a PF ter encontrado os R$ 51 milhões em um apartamento de um
amigo do político. O dinheiro apreendido já foi depositado em conta judicial.
Segundo a Polícia Federal, parte do dinheiro seria
resultante de um esquema de fraude na liberação de créditos da Caixa Econômica
Federal no período entre 2011 e 2013. Entre março de 2011 e dezembro de 2013, a
vice-presidência de Pessoa Jurídica da instituição era ocupada por Geddel
Vieira Lima.
De Brasília, Luciano
Nascimento - Repórter da Agência Brasil, 13/09/2017 17h31



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