PF prende
Geddel após achar digitais em 'bunker' com R$ 51 milhões

Ex-ministro da Secretaria de Governo,
Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), chora em
audiência (Imagem: Reprodução de
vídeo)
A Polícia Federal (PF) faz operação na casa do ex-ministro Geddel
Vieira Lima em Salvador na manhã desta sexta-feira. Os policiais
federais chegaram antes das 6 horas. Geddel foi preso preventivamente por
decisão da Justiça Federal em Brasília. A PF reuniu indícios que apontam para a
ligação entre o ex-ministro da Secretaria de Governo do presidente Michael
Temer e os 51 milhões em dinheiro vivo apreendidos nesta semana num
apartamento em Salvador.
O mandado que resultou na operação da PF nesta manhã de hoje foi
assinado pelo juiz Vallisney de Souza, da 10ª Vara Federal de Brasília. O
magistrado levou em conta para pedir a prisão de Geddel os indícios reunidos
pela PF sobre a associação dos R$ 51 milhões ao ex-ministro.
Também há decisão relacionada a uma segunda pessoa envolvida no
episódio, que teria participado da acomodação do dinheiro. A PF em Salvador diz
que a operação se estende a outros endereços na cidade, além do edifício onde
Geddel mora.

A PF chegou a um endereço em
Salvador/BA, que seria, supostamente, utilizado
por Geddel VieiraLima para armazenagem de dinheiro em espécie
por Geddel VieiraLima para armazenagem de dinheiro em espécie
(Imagem: Polícia
Federal/Agência O Globo)
A PF elencou novas provas e situações que complicaram a situação de
Geddel: as digitais do ex-ministro colhidas no apartamento onde houve a busca
estavam impressas no próprio dinheiro e material que acondicionava as notas;
uma segunda testemunha ouvida após a operação policial confirmou que o espaço havia
sido cedido a Geddel, corroborando o que disse o dono do imóvel; uma segunda
pessoa é suspeita de auxiliar o político baiano na destinação das caixas e
malas de dinheiro; e a PF identificou risco de fuga depois da revelação da
história da maior apreensão de dinheiro vivo já registrada no Brasil.
O ex-ministro havia sido preso em 3 de julho dentro da Operação Cui
Bono, suspeito de atrapalhar investigações. Ele obteve o direito de cumprir
prisão domiciliar, determinada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª
Região. Geddel deixou o Presídio da Papuda, em Brasília, no dia 13 de julho, e
seguia em seu apartamento em Salvador sem tornozeleira eletrônica. O
dispositivo está em falta na secretaria de administração penitenciária da
Bahia. Os fatos novos, surgidos na Operação Tesouro Perdido, que apreendeu os
R$ 51 milhões, motivam nova prisão do político baiano, independentemente do
benefício obtido no TRF.
A origem dos R$ 51 milhões ainda permanece misteriosa. A suspeita da PF
é que parte do dinheiro se trata de propinas para viabilizar a liberação de crédito
do FI-FGTS a empresas. Geddel é suspeito de receber R$ 20 milhões em propinas.
O peemedebista foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica
Federal entre 2011 e 2013, indicado pela então presidente Dilma Rousseff.
De Brasília, Vinicius Sassine, O Globo, em 08/09/2017,
às 07h34


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