Ministros do
STF divergem sobre afastamento de Aécio do Senado

Senador Aécio
Neves foi afastado do mandato e deverá obedecer recolhimento domiciliar
noturno (Foto: Wilson Dias/Arquivo/Agência Brasil)
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que a
Primeira Turma da Corte decidiu “poetizar” e assumiu “comportamento suspeito”
ontem (26), ao decidir afastar o
senador Aécio Neves (PSDB-MG) de suas atividades parlamentares e impor a ele o
recolhimento domiciliar noturno.
Mendes afirmou que as medidas cautelares equivalem à imposição de prisão
contra o parlamentar, o que a própria Primeira Turma considerou
inconstitucional, por entender que o senador não foi flagrado praticando crime
inafiançável.
“Eu tenho
impressão que a Primeira Turma notoriamente decidiu pela prisão, o que não tem
respaldo na Constituição, e que o Senado tem que deliberar sobre isso. A
Constituição prevê que cabe a Senado e Câmara tomar a decisão”, disse Gilmar
Mendes nesta quarta-feira.
O ministro defendeu que o próprio Supremo rediscuta
o caso de Aécio, dessa vez no plenário da casa. Ontem, a Primeira Turma
rejeitou, por unanimidade, um pedido da defesa para que o processo fosse
discutido pelo pleno.
“Quando a
Turma começa a poetizar, começa a ter um tipo de comportamento suspeito,
certamente seria bom que a matéria viesse para o plenário. Acho que matérias
controvertidas devem vir para o plenário”, defendeu.
(Merchandising)
Divergência
Após a sessão plenária desta quarta-feira, os
ministros Luís Roberto Barroso e Luiz Fux, que votaram a favor do afastamento
de Aécio e de seu recolhimento noturno, rebateram a tese de Gilmar Mendes.
Ambos citaram uma alteração no Código de Processo
Penal (CPP) aprovada pelo Congresso em maio de 2011 que elenca entre as medidas
alternativas à prisão preventiva o recolhimento domiciliar noturno.
“Foi o Congresso Nacional que definiu que essa não
é uma hipótese de prisão”, disse Barroso. “Portanto, com todo o respeito a
todas as opiniões, não há uma dúvida jurídica aqui. O direito é claríssimo.
Agora, as pessoas todas podem ter a sua opinião política a respeito dessa
matéria, menos eu, que não sou comentarista político”, acrescentou.
Fux afirmou que “evidentemente” o recolhimento
domiciliar noturno é uma medida alternativa à prisão, sem necessidade de aprovação
legislativa. Ele disse ser preciso aguardar qual será a interpretação dada pelo
Senado sobre o assunto.
“Acho que a gente tem de deixar o Senado pensar bem
naquilo que vai fazer diante da decisão judicial, porque, se não me falha a
memória, o senador já esteve afastado por decisão judicial e não houve esse
rumor todo”, disse Fux.
De Brasília, Felipe Pontes -
Repórter da Agência Brasil, 27/09/2017 21h43, atualizada em 28/09/2017
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