Janot denunciará Temer
como chefe de quadrilha e incluirá Joesley

O procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, vai denunciar o presidente Michel Temer por
organização criminosa e obstrução de Justiça nesta quinta-feira ao Supremo
Tribunal Federal (STF), afirmaram à Reuters duas fontes com conhecimento do
caso.
Janot deverá apresentar a nova acusação criminal contra o
presidente no final desta tarde ou no mais tardar no início da noite, disse uma
das fontes. A novidade é que o procurador-geral incluirá na lista dos
denunciados o empresário Joesley Batista, da J&F, após ele ter perdido
temporariamente sua imunidade penal, afirmou outra fonte.
Joesley está preso desde sábado após o chefe do Ministério
Público Federal (MPF) afirmar ao STF que há indícios de que ele omitiu
informações da delação premiada firmada em agosto.
Nesta semana, o empresário teve novo mandado de prisão,
desta vez preventivo, expedido pela Justiça Federal de São Paulo em
investigação por suposto uso de informações privilegiadas pelos executivos da
J&F para obtenção de lucros no mercado financeiro.
Segundo uma fonte, o pedido de rescisão, parcial ou total,
do acordo de delação premiada dos executivos da J&F não deverá fazer parte
da denúncia. Isso será feito em um procedimento autônomo, mas uma decisão a
este respeito ainda não está tomada.
Líder da organização
A acusação contra Temer terá como base, segundo essa
fonte, afirmações feitas por delatores, como o empresário Lúcio Funaro, que
recentemente fechou acordo de colaboração premiada, e investigações feitas que
apontam o presidente como o líder de uma organização criminosa formada por
pessoas ligadas ao PMDB da Câmara.
O presidente também será acusado de tentar obstruir
investigações ao, na visão de Janot, avalizar a operação articulada por Joesley
Batista de compra de silêncio de Funaro e do ex-presidente da Câmara Eduardo
Cunha (PMDB-RJ) para barrar uma eventual delação de ambos.
Tanto na quarta como nesta quinta Janot não compareceu às
sessões do plenário do Supremo como representante da Procuradoria-Geral da
República (PGR). Foi substituído pelo colega Nicolao Dino.
A equipe de Janot trabalhou nos últimos pontos da
denúncia, segundo uma fonte, até tarde da noite de quarta para que ele possa
oferecer nesta quinta. Essa deverá ser a última grande acusação criminal feita
por Janot em seu mandato, que se encerra no domingo.
Na quarta-feira o STF decidiu rejeitar, por nove votos a
zero, o pedido de suspeição apresentado pelos advogados de Temer para impedir
Janot de atuar em investigações contra o presidente.
Na mesma sessão, contudo, o Supremo adiou para a próxima
quarta-feira o julgamento sobre se a eventual denúncia de Janot contra Temer
terá de ficar suspensa até a conclusão das investigações sobre as delações da
J&F, holding que controla a JBS, e a participação do ex-procurador Marcelo
Miller como auxiliar do grupo empresarial na colaboração, mesmo antes de deixar
o cargo de procurador da República.
Caberá à sucessora de Janot, a subprocuradora Raquel
Dodge, atuar nesse caso.
Em agosto, a Câmara rejeitou conceder uma autorização para que o Supremo
julgasse uma denúncia contra Temer por corrupção passiva. Se isso ocorresse, e
o presidente virasse réu, ele seria afastado do cargo por 180 dias.
De Brasília, Brasil 247, em 14/09/2017, às 15h49




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