Valor do
fundo eleitoral provoca divergência; proposta segue para Câmara

O Plenário do
Senado votou ontem o substitutivo ao PLS 206/2017, que institui o Fundo
Especial de
Financiamento de Campanha (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
O projeto de lei aprovado pelos senadores nessa terça-feira (26) prevê que
o fundo eleitoral terá financiamento de cerca de R$ 2 bilhões para custear cada
eleição. Para que passe a valer no ano que vem, a proposta ainda precisa ser
aprovada pela Câmara, mas durante a votação houve divergências entre os
parlamentares quanto ao valor exato que será repassado às campanhas devido às
expectativas de repasses do Orçamento.
Caso não seja alterada pelos deputados, será
instituído o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, composto por 30%
do valor destinado a emendas parlamentares de bancada durante os anos
eleitorais. Outra fonte virá do dinheiro arrecadado com o fim da propaganda
partidária gratuita no rádio e na televisão.
De acordo com o projeto, relatado pelo senador
Armando Monteiro (PTB-PE), o montante do fundo "não alcançará sequer R$ 2
bilhões". Se mantidos os valores atuais do Orçamento de 2018, o percentual
das emendas de bancadas equivaleria a aproximadamente R$ 1,3 bilhão. Além
disso, a estimativa é de que cerca de R$ 500 milhões sejam gerados por meio do
fim da renúncia fiscal gerada atualmente com a propaganda partidária. Com isso,
o dinheiro arrecadado com impostos dos veículos de comunicação seria revertido
para o fundo.
(Merchandising)
Já a propaganda eleitoral gratuita, veiculada nos
anos em que ocorrem as eleições, será mantida, contrariando o projeto original
do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO).
Devido às mudanças, a votação gerou polêmica e
confusão entre os parlamentares. Em diferentes momentos, os contrários ao
relatório de Armando Monteiro verificavam o quórum da sessão, na tentativa de
obrigar os senadores a votar individualmente pela proposta. Contudo, alegando
seguir o Regimento Interno, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE),
conduziu a votação de forma simbólica.
Apoiado por senadores do PT e do PSDB, o projeto
relatado por Armando Monteiro foi criticado por Caiado e outros colegas, que
viram na proposta uma possibilidade de se aumentar o fundo indefinidamente.
“Eu desafio o relator a dizer qual é o teto do
fundo de financiamento de campanha. O fundo de financiamento de campanha só tem
um piso: ele vai sair de R$ 1,6 bilhão e pode chegar a valores de R$ 4 bilhões,
de R$ 6 bilhões, de R$ 8 bilhões. Porque há a prerrogativa de poder usar todas
as emendas aditivas pela reserva de contingenciamento”, criticou o senador do
Democratas.
Já os defensores da proposta aprovada argumentaram
que o texto impede a utilização de recursos das emendas que seriam destinados a
saúde e educação. Previstas no Orçamento Geral da União, as emendas de bancada
impositivas são definidas com base em um percentual da receita corrente líquida
da União e devem ser apresentadas pelos partidos para a realização de obras
definidas pelas legendas de acordo com as demandas das bases locais.
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a
“demagogia” dos que, segundo ele, foram contra o projeto porque são, na
verdade, a favor do financiamento empresarial das campanhas.
“Eu quero dizer que o projeto do senador Armando
Monteiro volta a valores de campanha inferiores a 2002, quando foram gastos R$
2 bilhões. Agora a previsão de gastos é de R$ 1,6 bilhão, um terço dos gastos
da campanha de 2014”, disse.
No relatório, o senador Armando Monteiro afirma que
as eleições de 2014 custaram mais de R$ 5 bilhões e que a proposta atual prevê
um valor bem menor. A opinião é a mesma do líder do governo no Senado, Romero
Jucá (PMDB-RR). Segundo ele, caso o horário eleitoral gratuito fosse extinto,
apenas os políticos ricos conseguiriam fazer propaganda.
“O Congresso não pode afrouxar, tem que ter coragem
de ter recursos para se fazer campanha política, sob pena das facções do crime
organizado bancarem as eleições porque haverá caixa 2 se não houver caixa
oficial. Eu quero que todos tenham condição de disputar em igualdade, e acho
que R$ 2 bilhões, ainda mais se abrindo mão de dotações no Congresso, não é
demais para se ter democracia no Brasil”, declarou.
Após a votação, o senador Randolfe Rodrigues
(REDE-AP) disse que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal com o objetivo de
evitar que o texto siga para a Câmara. “Houve um golpe no procedimento de
votação. Eles votaram o requerimento [de preferência para que a matéria fosse
aprovada] e não o mérito do projeto, conforme tínhamos discutido na reunião. No
nosso entender, foi uma clara ofensa à Constituição”, reclamou.
De Brasília, Paulo Victor
Chagas – Repórter da Agência Brasil, 27/09/2017, às 07h57



Nenhum comentário:
Postar um comentário