Temer já caiu e não
sabe!
Por Alex
Solnik (*)
Já faz dois dias que Temer foi
acusado de ser o “ladrão-geral da República” por um dos maiores empresários do
país e nada aconteceu.
Ladrão-geral, termo que nunca
antes foi usado que eu tivesse visto ou ouvido para qualificar um presidente brasileiro,
quer dizer “o maior ladrão” se o procurador-geral é “o maior procurador” e
grampeador-geral quer dizer “o maior grampeador”, novo epíteto que Temer
arrumou para o seu acusador.
A agravante é que quem o acusa
manteve negócios escusos com ele ao menos desde 2010 – apesar de ser somente o
acusador, o empresário - e foi recebido extra-agenda agora em maio por ele, em
sua residência oficial, para uma conversa que vazou para toda a população.
Dias depois do encontro - em
que Temer indicou um emissário de confiança ao empresário Joesley – o mesmo foi
filmado correndo numa rua de São Paulo com uma mala de 500 mil reais fornecida
por esse empresário.
Quando o escândalo explodiu, o
homem de confiança de Temer devolveu a mala – não deixando dúvida, portanto,
que aquilo aconteceu mesmo, não era filmagem de “A Lei é para Todos”.
Claro que eu não considero
políticos pessoas normais, como eu ou você, e quanto mais poder eles detêm,
menos normais são.
O caso Temer é ilustrativo.
Enquanto foi deputado tinha até um ar respeitável. Enquanto vice presidente era
só "decorativo". Foi subir um degrau e deu no que deu.
Ele não tem a menor vergonha de
ser chamado de ladrão e nem ao menos processa o "difamador". É
chamado de ladrão-geral e ninguém reage, nem contra, nem a favor. Um presidente
deve ser, no melhor das hipóteses, amado pela população. Na segunda hipótese,
respeitado. E, em último caso, odiado. mas Temer quebrou o paradigma. Nem
odiado ele é mais.
Temer é desprezado pelos
brasileiros. Os brasileiros fingem que ele não existe. É um fantasma. Não o
consideram presidente do Brasil.Daí a falta de reação e de
indignação.
Só apoiam Temer, se tanto, 267
deputados, praticamente todos também investigados por corrupção.
E que o apoiam não por seus
lindos olhos, nem por seus magníficos projetos, mas por sua insuperável ousadia
em usar os cofres públicos em seu favor.
São apoiadores podres, que hoje
o sustentam e amanhã podem derrubá-lo.
Até numa ditadura o chefe
supremo precisa ser aclamado pelo povo, que dirá na democracia.
Temer já caiu e não sabe.
(*) - Alex Solnik é jornalista e escritor. Artigo publicado em Brasil 247, em 04/09/2017



Nenhum comentário:
Postar um comentário