VIVA O IMPERADOR!
Por Inocêncio Nóbrega (*)
Falam os
comentaristas que há um ligeiro crescimento da economia, quedas da inflação e
dos índices de desemprego, porém Temer não passa de 2,0% de aceitação popular.
Por outro lado, nascido e criado nas mordomias imperiais, com reflexos
absolutistas e sem perder seu liame com as origens lusas, Pedro I com suas
tiradas um tanto bombásticas, favoráveis à separação política do Brasil, aos
poucos caia na graça do povo brasileiro. “Um ato de guerra”, assim como se expressou,
na iminente invasão do Brasil, por tropas portuguesas. Em semelhante momento,
ele teria declarado: “Não adianta provocar, o Brasil saberá resistir”. Sua
vontade de construir um país, contando com uma assessoria, comandada por José
Bonifácio, na verdade contrasta com o atual governo e sua cúpula equipe
denunciada por crimes, ansiosos no desmonte da nação.
Resultado, esse
comportamento do monarca culminaria na nossa Independência. Quem, neste novo
país, se quedaria contra o ato? A não ser comerciantes portugueses, na sua
maioria, agrupados em princípios do tipo da Fiesp, que hoje defende. Sei que a
decisão repercutiu, francamente, em todos os quadrantes da gente brasileira, a
exibir-se, garbosamente, no estilo da época, nas Câmaras de suas vilas,
participando de magnas vereações. Como
se pôde fazê-las em recintos mais sofisticados, isso aconteceu, primeiramente,
no Teatro, em S. Paulo, na própria noite do dia Sete. Cinco dias mais tarde, os
cariocas receberam, com euforia, a notícia.
A boa nova alcançava,
vagarosamente, diversas regiões da então colônia, por vezes demorando semanas.
Todavia, correu célere ao Vaticano e ao Chile. “Gazzeta di Parma”, Itália, já a
noticiava em sua edição de 21 de setembro. Na Bahia, de um modo geral, comemorou-se a 12 de
outubro, em Caeté e Itaparica. Caravelas, dia 21. Na Amazônia, exigiram-se
alguns meses; menos no Piauí, Ceará e na capitania da Paraíba. Nesta, a 27 de novembro, mercê de ofício
enviado pelo Senado da Câmara do Rio de Janeiro.
Empolgada
pelo júbilo cívico os paraibanos, já dizendo “Viva o Imperador!”, participaram
de várias manifestações em algumas vilas. Na pacata capital, aí sim tomou conta
de algumas ruas, estando presentes na sessão do Senado da Câmara, do dia seguinte,
28, que oficiou a adesão. Todas as
classes sociais irmanaram-se, de alegria. Festejos maiores se deram quando da
coroação do Príncipe Regente, em dezembro.
Cobriram o período de 16 a 24, com Te
Deum, queima de fogos e iluminação noturna, a lampiões, nesse período. Enfim, uma lição que faz refletir na escolha
do próximo governo, que presidirá nosso bicentenário, em 2022.
(*) - Inocêncio Nóbrega é Jornalista e Escritor - inocnf@gmail.com. 22/11/2017



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