Supremo
decide hoje sobre validade de delação negociada pela PF
O Supremo Tribunal Federal (STF) deve retomar hoje (20), a
partir das 14 horas, o julgamento sobre a autorização legal para que delegados
das polícias Civil e Federal (PF) possam negociar delações premiadas, conforme
previsto na Lei de Organizações Criminosas (12.850/2013).
O julgamento foi interrompido em dezembro do ano passado, e o placar
está em 6 a 1 a favor das delações negociadas pelas polícias, mas com
divergências. O ponto comum entre os votos é sobre a validade da delação
somente se o Ministério Público concordar com o acordo e a proibição de que delegados
acertem as penas com os colaboradores.
Já votaram os ministros Marco Aurélio Mello, Alexandre de Moraes, Luís
Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Dias Toffoli. Edson Fachin votou
contra. Faltam os votos dos ministros Celso de Mello, Ricardo Lewandowski,
Gilmar Mendes e da presidente do STF, Cármen Lúcia.
A corte julga ação na qual a Procuradoria-Geral da República (PGR) alega
que a possibilidade de a PF realizar acordos enfraquece a atribuição exclusiva
do Ministério Público (MP) de oferecer denúncia contra criminosos.
Para a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, delegados da PF não
têm a prerrogativa de oferecer prêmios ao colaborador, uma vez que cabe somente
ao Ministério Público o papel de apresentar denúncia contra o criminoso.
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) discorda da PGR e considera que a tentativa de
impedir que delegados possam propor a assinatura de acordos é um retrocesso.
De Brasília, André Richter, repórter da Agência
Brasil, em 20/06/2018, às 06h20



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