Bolsonaro
planeja revogar normas para desburocratizar
Medida deve ser adotada nos 100 primeiros dias de
governo (Foto: Getty Imagens)
A cinco dias da posse, a equipe de transição do presidente eleito, Jair
Bolsonaro apresentou, ontem (27), um documento, de 81 páginas, com
orientações para os primeiros 100 dias do próximo governo. O material,
intitulado Agenda de governo e governança pública, foi
entregue aos titulares dos ministérios pelo ministro extraordinário da
transição, Onyx Lorezoni, que assumirá a Casa Civil.
A apresentação do documento ocorreu durante reunião na tarde
desta quinta-feira (27). O texto estabelece instruções que vão desde
critérios para nomeações em cargos até propostas que podem ser encaminhadas ao
Congresso Nacional via projeto de lei.
Em entrevista coletiva, Onyx Lorenzoni anunciou que a nova gestão deverá
regovar uma série de instruções normativas e outras normas infralegais que,
segundo ele, burocratizam a vida do cidadão.
"Nós também vamos promover, logo nos primeiros movimentos do
próximo governo, uma revogação de uma série de instruções burocráticas, que na
verdade infernizam a vida de cada homem e cada mulher no Brasil”, disse o
ministro.
Em seguida, Lorenzoni acrescentou que o objetivo é “entregar para a
sociedade brasileira aquilo que foi um compromisso do presidente Bolsonaro, que
é de simplificar e facilitar e como ele mesmo disse, tirar o governo do cangote
do brasileiro".
Ações prioritárias
De acordo com Onyx, cada uma das 22 pastas deverá apresentar ao
presidente a sugestão de ao menos duas ações prioritárias para os primeiros
meses de governo. Caberá ao próprio presidente definir o cronograma de
encaminhamento dessas ações.
"Cada ministério apresentou no mínimo duas ações, que vão ser
levadas, nesse final de semana, ao presidente Bolsonaro, quando ele vai estar
aqui em Brasília, para que ele possa fazer a escolha e o cronograma dessas
ações à sociedade brasileira", informou.
Segundo o documento, os atos normativos legais e infralegais expedidos
nos últimos 60 dias serão reavaliados nas duas primeiras semanas de trabalho. A
disposição é avaliar a "aderência" das medidas aos compromissos da
nova gestão.
Cronograma
Pelo cronograma apresentado no material, estão previstas agendas de
reuniões ministeriais que se estendem até o dia 25 de junho do ano
que vem. Também há orientações relacionadas à concessão de diárias e passagens,
uso de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e de veículos oficiais,
nepotismo, uso de cartão corporativo, auxílio-moradia, entre outros
temas.
O ministro extraordinário disse ainda que o novo governo pretende
reduzir, de forma lenta e gradual, a concessão de subsídios a diversas
atividades econômicas. Somente em 2017, segundo o Ministério da Fazenda, o
governo concedeu R$ 354,8 bilhões em subsídios, que são abatimentos de impostos
para estimular a economia. Ele não indicou metas ou setores a serem
afetados.
"O Brasil, ao longo de décadas, construiu uma relação com a
sociedade, principalmente com a sociedade que produz, com base em subsídios
que, quando o governo oferece com uma mão, um subsídio para um setor da
atividade econômica, ele tá tirando com muitas mãos, porque quem paga somos
nós, com impostos, então nós vamos, com critério, os ministérios vão estudar
com profundidade, para iniciar, lenta e gradualmente, um processo de redução de
subsídios", afirmou.
De Brasília, Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência
Brasil, em 28/12/2018, a 01h50




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