PGR pede
condenação de Geddel Vieira Lima a 80 anos de prisão

Ex Ministro Gedel Vieira Lima (Foto: José Cruz - Agência Brasil)
A procuradora-geral da República, Raquel
Dodge, pediu hoje (9) a condenação do ex-ministro e ex-deputado
Geddel Vieira Lima a 80 anos de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e
associação criminosa.
Ela também pediu a condenação do deputado Lúcio
Vieira Lima (MDB-BA) a 48 anos e seis meses de prisão, pelos mesmos
crimes. Ele é irmão de Geddel e não conseguiu se reeleger nas últimas
eleições.
O pedido foi enviado ao Supremo Tribunal Federal
(STF) nas alegações finais da ação penal relacionada aos R$ 51 milhões em
espécie encontrados no apartamento de um amigo de Geddel em Salvador. Ele foi
preso preventivamente em 8 setembro do ano passado, três dias após o dinheiro
ser encontrado, e encontra-se hoje na penitenciária da Papuda, no
Distrito Federal.
A PGR pediu que seja mantida a prisão preventiva
de Geddel até o julgamento do caso. A defesa solicitou a soltura dele por já
estar encerrada a fase de instrução processual, razão pela qual ele não mais
representaria ameaça às investigações, segundo os advogados.
Para Raquel Dodge, Geddel “já deu mostras
suficientes do que, em liberdade, é capaz de fazer para colocar em risco a
ordem pública e vulnerar a aplicação da lei”, razão pela qual deve continuar
preso. Ela citou também o risco de fuga.
A matriarca da família, Marluce Vieira Lima,
também era ré na mesma ação penal, mas em novembro o relator do processo,
ministro Edson Fachin, desmembrou a parte relativa a ela no caso, que deverá
agora ser julgado pela 10a Vara Federal da Bahia.
As alegações finais são um dos últimos passos
antes do julgamento, que deve ocorrer na Segunda Turma do STF, embora
ainda não haja data marcada.
No documento de 85 páginas, a PGR pede também a
condenação do empresário Luiz Fernando Machado a 26 anos de prisão. Ele seria
cúmplice dos irmãos Vieira Lima na lavagem de R$ 12,7 milhões, entre os anos de
2011 e 2016, por meio de sete contratos relativos a empreendimentos
imobiliários.
Origem do dinheiro
Raquel Dodge diz que o dinheiro encontrado no
apartamento teve como origem diferentes práticas criminosas entre os anos 2010
e 2017, reveladas em outras investigações, entre elas as operações Lava Jato –
que investiga desvios na Petrobras – e Cui Bono – que apura esquemas de
corrupção na Caixa Econômica Federal. Parte do dinheiro teria origem no
desvio de salários de funcionários dos gabinetes dos irmãos Vieira Lima na
Câmara, segundo a PGR.
A defesa havia alegado que os R$ 51 milhões
integram o patrimônio legal da família, tendo como uma de suas origens a
atividade agropecuária. O advogado Gamil Föppel, que representa a família
Vieira Lima, tem alegado que a denúncia é inepta e que não há provas da origem
ilícita do dinheiro.
Raquel Dodge rebate os argumentos, afirmando não
ser plausível a guarda de quantia tão grande em espécie, e que se o dinheiro
fosse lícito teria sido aplicado em investimentos, para que não fosse “corroído
pela inflação”.
A PGR pediu o perdão judicial do ex-secretário
parlamentar Job Ribeiro de Brandão, que colaborou com as investigações.
De Brasilia, Felipe Pontes, repórter da Agência
Brasil, publicado em 09/01/2019, as 15h55



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