Cunha ameaça colegas: ‘nenhum
sobreviverá’
O deputado afastado Eduardo Cunha
(PMDB-RJ) disse que o processo que pede a cassação do mandato dele é uma
perseguição, pelas pautas que fez avançar na Câmara dos Deputados enquanto era presidente.
Ele também argumentou que a denúncia contra ele no Supremo Tribunal Federal
(STF) está sendo usada como uma condenação.
Cunha lembrou que 20% dos
deputados têm processos na Justiça e que, se esse critério for usado, todos
deveriam perder seus mandatos. "Nenhum desses sobreviverão e deverão ser
cassados", afirmou, sobre o que seriam, em suas contas, 117 deputados alvo
de investigação.
"Isso não existe, a denúncia
é feita para que haja o contraditório e que fique provada a culpa ou inocência
do acusado, e não pode ser utilizada como condenação. Se um deputado é o
condenado, aí sim ele perde seu mandato, isso é o que está previsto na
Constituição. O Conselho de Ética quis substituir o Supremo no meu caso",
declarou.
O ex-presidente acrescentou que seu
afastamento do mandato é uma afronta à Constituição e que foi um golpe contra a
independência entre os poderes.
"Hoje isso foi usado contra
mim, mas amanhã poderá ser usado contra um de vocês", afirmou aos
deputados da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), que
analisa recurso de Cunha contra a decisão do Conselho de Ética favorável à
perda do mandato do deputado afastado.
Defesa alerta que precedentes em
processo contra Cunha poderão valer para outros casos
O advogado do deputado afastado
Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Marcelo Nobre, disse que o processo contra seu cliente
no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar vinha sendo conduzido contra ele
apenas por sua atuação como presidente da Câmara, cargo que Cunha não ocupa
mais.
Nobre alertou os deputados da CCJ
para o fato de que vários detalhes do processo serão usados em futuros
processos contra outros parlamentares, que terão suas defesas enfraquecidas.
"Cansei de ouvir isso no Conselho de Ética, de que há precedentes julgados
pela CCJ e isso tudo vai virar precedente", disse.
Para a CCJ, Marcelo Nobre repetiu
os argumentos da defesa apresentada ao Conselho de Ética. Ele frisou o fato de
haver questões de ordem não respondidas no conselho, o aditamento feito à denúncia
inicial, e a troca de partido do relator durante processo.
O relator do recurso na CCJ,
Ronaldo Fonseca (Pros-DF), defende anular apenas a votação final do conselho,
que recomendou a cassação do mandato de Cunha.
Neste momento, Eduardo Cunha faz
pessoalmente sua defesa. O ex-presidente da Câmara está citando vários fatos
que, segundo ele, configuram irregularidades na análise do processo contra ele
no Conselho de Ética.
Com Agência Câmara –
De Brasília, Brasil 247, 12/07/2016, às 17h14



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