STF não deve barrar
denúncia de Janot contra Temer na quarta-feira

O
Supremo Tribunal Federal (STF) não vai barrar a denúncia contra o presidente
Michel Temer, como quer a defesa. Na sessão de quarta-feira, os ministros devem
autorizar o envio do documento para a Câmara dos Deputados, como prevê a
Constituição. Se, em votação, dois terços dos deputados concordarem, o caso
retorna para a Corte para julgamento. Na avaliação da maioria dos ministros,
nessa primeira fase, o Supremo tem o dever de encaminhar, automaticamente, o
caso para a Câmara, sem fazer juízo de valor sobre a denúncia ou as provas nas
quais o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se baseou. Pelo
menos não neste momento.
Embora tenha conhecimento dessa tendência do
tribunal, o relator do processo, ministro Edson Fachin, preferiu levar a
questão de ordem apresentada pela defesa para o plenário do Supremo, em vez de
decidir sozinho. Em junho, quando Temer foi denunciado pela primeira vez, por
corrupção passiva, Fachin encaminhou o caso para a presidente do STF, ministra
Cármen Lúcia, que enviou para o Congresso Nacional. Tudo ocorreu em poucos
dias.
A segunda denúncia chegou ao STF na quinta-feira,
mas Fachin quis que o plenário primeiro julgasse o pedido da defesa, para não
dar margem a qualquer pedido de nulidade futuro. E, também, por cortesia aos
colegas.
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O futuro das provas da JBS
O governo já se movimenta para barrar, na Câmara, a
segunda denúncia apresentada contra Temer, por obstrução de justiça e
participação em organização criminosa. A primeira denúncia, por corrupção
passiva, foi apresentada por Janot ao STF em junho. Por maioria, os deputados
decidiram enterrar o caso. O inquérito continua aberto no tribunal, mas as
investigações só poderão ser retomadas depois que ele deixar o cargo.
Se a Câmara autorizar as investigações, a denúncia
será devolvida ao STF — que, somente então, vai analisar o mérito das provas
elencadas por Janot contra o presidente. A defesa de Temer lembrou que parte
dos elementos da denúncia foram retirados da delação da JBS. Como ainda não foi
encerrada a investigação sobre os novos áudios dos delatores da JBS, que
colocam em xeque a lisura da delação premiada dos executivos, as provas
poderiam ser anuladas, diz a defesa. Por isso, o mais prudente seria suspender
o processo até que essas investigações fossem concluídas.
A avaliação de ao menos dois ministros e de juízes
auxiliares da Corte é crítica. Ouvidos pelo GLOBO, eles consideram que a peça é
confusa e mistura, em uma mesma “salada”, a suposta organização criminosa do
PMDB da Câmara com a atuação dos executivos da JBS — que, na avaliação deles,
deveriam ser separadas em duas investigações diferentes.
Na avaliação de um ministro, o procurador-geral
agiu de maneira apressada nas últimas denúncias que enviou ao STF, já ao fim do
mandato, com o intuito de limpar sua gaveta e não deixar os principais casos
com pendências para sua sucessora, Raquel Dodge, que tomou posse ontem. Na PGR,
Dodge e Janot pertencem a grupos diferentes.
Ministros do tribunal avaliam que Janot deveria ter
esperado primeiro a conclusão das investigações sobre os áudios para depois
denunciar Temer. No entanto, se esperasse, o então procurador-geral não teria
tempo para apresentar a denúncia, porque já não estaria no cargo. Na visão de
integrantes da Corte, tomar essa atitude sem que os áudios estivessem
devidamente esclarecidos deixou a situação mais confusa.
Nos bastidores, ministros já afirmaram que as
provas poderiam ser usadas nas investigações — no entanto, com o acordo de
delação rescindido, as provas já não teriam mais tanta força. Há também a
possibilidade de pedido de vista no julgamento de amanhã. Se isso acontecer,
não seria um problema, porque Fachin não depende necessariamente da decisão do
plenário para enviar a denúncia para a Câmara.
De Brasília, Carolina Brígido, repórter de O Globo19/09/2017 4:30
De Brasília, Carolina Brígido, repórter de O Globo19/09/2017 4:30



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